Cultura

João Mapito trabalha para gravar CD de estreia

Carlos Paulino | Menongue

João Mapito está à procura de apoios para gravar o seu primeiro álbum, depois de ter vencido, em Novembro, na cidade de Benguela, a 26ª edição do concurso nacional de Música Popular Angolana (Variante).

Fotografia: Carlos Paulino | Edições Novembro

O representante do Cuando Cubango recebeu como prémio 800 mil kwanzas, valor este que servirá para dar os primeiros passos para a gravação do álbum de estreia.

Conhecido nas lides artísticas como Ntumbili Mbo, termo nganguela que em português significa “rato do bairro”, o músico adiantou que o disco terá dez temas de tchianda, semba e reggae.
Para a concretização do sonho, João Mapito espera poder contar com o apoio do Governo do Cuando Cubango e do empresariado local, razão pela qual solicitou ao Gabinete Provincial da Cultura para interceder junto dessas instituições, já que tenciona gravar o disco em Luanda ou noutra província, desde que haja condições aceitáveis.
Pela primeira vez a participar na fase nacional do Variante, o músico disse ter trabalhado arduamente apenas com o apoio da família e amigos para vencer o concurso. “Graças a Deus, o esforço foi compensado. Quando anunciaram o vencedor, a emoção tomou conta de mim e a plateia foi formidável.”
Apesar de reconhecer o potencial dos restantes candidatos, João Mapito disse que o segredo para vencer esteve na dança tradicional tchianda, na indumentária e na letra da música que interpretou, intitulada “Kumana Unazala”, que em português significa “para dar algo tens de ter alguma coisa.” São dizeres que retratam os hábitos e costumes do povo nganguela.
João Mapito nasceu em 1977, na comuna do Baixo-Longa, município do Cuito Cuanavale, mas é originário de Lutchazes (Moxico), onde nasceram os seus avôs que, por causa do conflito armado, tiveram que fugir para o Cuando Cubango. Começou a cantar em 1993, na sua terra natal, quando tinha 16 anos.
A sua carreira musical começou a ganhar impacto em 2003, quando saiu do Baixo-Longa para viver na cidade de Menongue, onde se juntou ao músico Risco da Vida, um outro artista do Cuando Cubango.
Em 2012, preferiu abraçar a carreira a solo porque, durante os 12 anos que esteve ao lado de Risco da Vida aparecia mais como bailarino. “Foi neste contexto que tive a oportunidade de gravar a minha primeira música com o título “Musseleneca”, que retrata as danças tradicionais do povo nganguela”, disse.
Com mais de 16 temas no estilo tchianda, semba e reggae gravados, num estúdio precário em Menongue, o músico disse que as suas composições têm como principais mensagens o resgate dos valores morais, cívicos e culturais, o processo de reconstrução e o desenvolvimento do país, os benefícios da paz e da livre circulação de pessoas e mercadorias, a reconciliação entre os angolanos, o combate à corrupção e ao nepotismo.
Actualmente, para sustentar a sua carreira musical, João Mapito depende fundamentalmente dos valores que recebe quando é convidado para cantar em actividades.
Disse que se inspirou, para ser cantor, no seu avô materno, Mizeco Tchacama, que no passado foi um exímio cantor de música tradicional e tocava batuque em cerimónias tradicionais. “Eu testemunhava as suas actuações e comecei a ganhar o hábito por estes instrumentos folclóricos, com realce para o tchicunza, kalelua, tchileia, tchiponde, kawita e gondo”, disse.
O músico lamentou o facto de os empresários da província não apoiarem os artistas locais, porque o Cuando Cubango tem um enorme potencial no que à música diz respeito, mas, por falta de incentivos, muitos dos cantores continuam estagnados.
“Por esta razão, só aparecemos quando somos convidados, por ocasião de efemérides.”
O artista sugere ao Gabinete Provincial da Cultura a criação de um estúdio musical para que os artistas locais possam gravar discos sem grandes constrangimentos e poderem comercializar os seus trabalhos, por forma a garantirem o sustento das famílias.
Com 42 anos, João Mapito tem 15 filhos, de quatro mães. Actualmente vive com Laurinda Tchissanga. Garante o seu sustento com o subsídio que recebe como funcionário da Casa de Segurança do Presidente da República, no Cuando Cubango.

Tempo

Multimédia