Cultura

João Júnior vence prémio “Quem me dera ser onda”

Mário Cohen

O adolescente João Lukombo, 15 anos, da província do Zaire, estudante da 10ª classe, no Liceu Eduardo José, é o vencedor da 8ª edição do Prémio Literário “Quem me dera ser onda”, com o texto “O Sonho do Velho João”.

Patrono do prémio defende a criação de mais concursos que incentivam a criança a escrever
Fotografia: José Cola | Edições Novembro

O anúncio dos vencedores foi feito ontem, em Luanda, pelo presidente do júri, o escritor Manuel Muanza, na sede da União dos Escritores Angolanos (UEA), organizadora do prémio literário, dirigido a todas as crianças angolanas. Essa iniciativa da UEA, é patrocinada pela Fundação Sol e tem a parceria do Ministério da Educação.
Segundo o presidente do júri, o texto vencedor espelha a criatividade do autor e a sua temática veicula valores e aspectos da cultura, assim como da tradição e da crença.
O jovem estudante do Liceu Eduardo José, vencedor do prémio recebeu da organização um diploma de mérito e o montante financeiro de 973.950 kwanzas.
Em segundo lugar ficou a adolescente Amélia António Torres, 16 anos, da província de Luanda, aluna da escola secundária 17 de Dezembro, com o texto “O Coelho Resmungão”, uma narrativa imaginária que revela o diálogo entre a autora e mundos que testemunham a presença da mentalidade infanto-juvenil.
Amélia António Torres recebeu como prémio o montante de 584.370 kwanzas e um diploma de mérito.
O júri atribui o terceiro lugar do prémio a Mauro da Rosa, 17 anos, também de Luanda, estudante da escola nº 1259, no bairro do Capolo, com o texto “A História de Um Menino que Gostava de Estudar”. O terceiro classificado recebeu o valor de 389.880 kwanzas e um diploma de mérito.
Referindo-se ao texto de Mauro da Rosa, o presidente do júri afirmou que a prosa constrói uma lição apropriada para veicular valores sociais em que se devem cimentar comportamentos de crianças e jovens num país em busca de rumo para o desenvolvimento, como Angola.
Para o escritor Manuel Muanza, é notável a criatividade, a escolha de temáticas que transmitem valores e aspectos das culturas como tradição e crenças regionais que identificam grupos sociais e linguísticos de Angola.
Em função dos factos, o presidente do júri sugere a organização que os textos a premiar sejam publicados, considerando o facto de tal gesto poder vir a incentivar o fomento de hábito de leitura e escrita nas camadas infanto-juvenil, bem como sejam entregues a um escritor de referência ou a um editor com competência para que este os releia, cuide dos aspectos de linguagem, faça cortes necessários, assim como a versão final das provas seja devidamente assinada pelo revisor e aprovada pelo escritor de referência.
Manuel Muanza considera o concurso como um instrumento pedagógico válido e susceptível de elevar a riqueza lexical das crianças, dos adolescentes e dos jovens, estimulando o gosto pela leitura e pela escrita.
 Amélia António Torres, a segunda classificado do prémio disse, ao Jornal de Angola, que tem vários sonhos, como o de continuar a escrever e participar em outros concursos deste género, para que no futuro venha a ser escritora. “O meu maior desejo no momento é conseguir uma bolsa de estudo.”
Visivelmente emocionado, Mauro da Rosa, terceiro classificado, disse que com o prémio jamais vai ser o mesmo, porque a partir de agora vai ser mais amigo da leitura, com objectivo de melhorar o seu vocabulário.
O patrono do prémio, o escritor Manuel Rui Monteiro, afirmou que quem se mentaliza que nas crianças não se pode encontrar um escritor “está a ofender as crianças”, tendo exemplificado o caso do livro “O Diário de Anne Frank”, que foi escrita por uma criança de 13 anos, a Anne Frank, na altura era uma menina judia que, durante a Segunda Guerra Mundial, teve que se esconder para escapar dos nazis.
“Anne escreveu no seu diário que queria tornar-se escritora ou jornalista e que gostaria de ver o diário publicado como um romance. Em 25 de Junho de 1947, ‘O Diário de Anne Frank’, é publicado numa edição de três mil  exemplares, depois seguiu-se a esta, outras edições, traduções, uma peça de teatro e um filme”, conta Manuel Rui Monteiro.
O patrono do prémio disse ser preciso existir outros concursos que incentivam a criança a escrever, a participar e a explorar a sua criatividade imaginária,  com o objectivo de aproximar os jovens adolescentes da leitura.

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