Cultura

João Lukombo recebe prémio de “O Sonho do Velho João”

O autor do livro infantil “O Sonho do Velho João”, de João Lukombo, de 15 anos, recebeu, ontem em Luanda, um cheque de 975 mil pelo prémio da oitava edição do concurso literário “Quem Me Dera Ser Onda”.

Manuel Rui (à direita) felicita o vencedor da oitava edição
Fotografia: Mário Cohen

A cerimónia de outorga de prémios aconteceu na União dos Escritores Angolanos (UEA), em Luanda. O vencedor, da província do Zaire, é estudante da 12ª classe, do liceu Eduardo José.
Na segunda posição, Amélia António, autora de “O Coelho Resmungão”, de 16 anos, de Luanda, recebeu 585 mil kwanzas e o terceiro, Mauro da Rosa, autor de “A História de um Menino que Não Gosta de Estudar”, teve direito a 390 mil kwanzas.
Promovido pela UEA, com o apoio financeiro da Fundação Sol, o concurso visa incentivar as crianças com idade escolar, assim como criar hábito de leitura. Os classificados receberam, também, certificados de mérito. O vencedor disse ser um orgulho ter participado no concurso, assim como ter conquistado primeiro lugar. Acrescentou que vai continuar a escrever para que um dia seja um potencial da literatura nacional.
Para o patrono do concurso, Manuel Rui Monteiro, a literatura não tem limites de temas. Da mesma maneira que o escultor molda a madeira de forma ilimitada, assim o escritor molda o texto na oficina infinita das palavras.
“Nós, escritores, muito mais vocês que, felizmente, começaram a escrever tão jovens, devemos ser exigentes com o que escrevemos, sempre na busca de algo novo e melhor, não escrevendo sobre o joelho porque a escrita é uma paixão e, como cantava o brasileiro Jobim, 'quem nunca amou não merece ser amado'. É por isso que andam por aí livros que as pessoas não gostam de ler”, acrescentou, que não foram escritos com paixão, mas só para a pessoa ser tratada por escritor.
Ao longo da história da humanidade, disse Manuel Rui Monteiro, muitos livros quase que moldaram as sociedades - os costumes, os dramas e o amor à liberdade. “Houve até quem se antecipasse no tempo, como exemplo, Júlio Verne, escrevendo um romance sobre um submarino quando ainda o submarino ainda não existia”, disse.
O patrono disse ainda “es-pero orgulhar-me da vossa escrita e até aprender com ela. Quem me dera ser onda para escrever melhor e ou-vir, o som de um búzio no meu ouvido a dizer: viva a palavra amor.”

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