Cultura

Jogo de tabuleiro milenar

Manuel Albano |

O jogo de tabuleiro kiela vem da antiguidade pré-histórica e existem testemunhos da sua existência na idade neolítica, disseminada pela África Central. Não se sabe o local exacto onde começou, mas sabe-se que as migrações e movimentos comerciais terão contribuído de forma positiva para a sua disseminação pelo continente.

Em Angola encontramosvestígios do kiela nas pedras negras de Pungo-Andongo em Malanje
Fotografia: Nuno Flash | Edições Novembro


A peça foi a escolhida em Maio pelo Museu Nacional de Antropologia, inserida no projecto “Peça do Mês”, que durante 30 dias foi a atracção nas visitas guiadas, no seguimento da rotatividade a oferecer às suas colecções.
O programa, que tem procurado desenvolver actividades no sentido de divulgar o acervo cultural com propósitos pedagógicos, fundamentalmente às novas gerações, tem permitido aos visitantes explorar mais os conteúdos culturais das mais variadas etnias, grupo e subgrupos  do povo angolano.
Para esta edição, não existe consenso entre os estudiosos sobre quando, exactamente, os jogos da família “mancala” foram criados.
Existe um registo que aponta a 1400 aC, mas há quem defende mais de 2000 aC e outros 7000 aC, ou até mesmo no início das civilizações. Há quem afirme que é o jogo mais velho do mundo, mesmo quando comparado com outros de tabuleiro como o xadrez.
Dada a sua importância e função, grandes impérios como: Congo, Monomotapa, Gana, Zulu e outros terão sido experientes nesse jogo. O kiela é um jogo de “mancala” de origem africana, representa um símbolo da cultura e sabedoria africana, além de ser uma grande ferramenta de lazer que contribui para o aumento da capacidade de concentração, cálculo mental e análise estratégica.
Considerado como o jogo estratégico mais antigo do mundo, está possivelmente na origem de vários outros de tabuleiro. Foi criado por um sábio ancião, de forma a evitar que duas tribos se confrontassem em sangrentos campos de batalha. O homem, como ser detentor de inteligência, teve o desejo de desafiá-la e esse desafio por vezes levou-o à satisfação e à diversão. 
É assim que encontramos ao redor do globo vestígios ou marcas (nas rochas, cavernas, em ruínas de palácio e de cidades) de alguns jogos com esse objectivo, que se foram aperfeiçoando com o desenvolvimento cultural e social dos povos.  Em Angola, encontramos vestígios do kiela nas pedras negras de Pungo-Andongo em Malanje. No norte de Angola, é disputado pelos kimbundus, um povo de tradição oral.
O nome varia de região por região tal como as regras, alguns termos mais usados no nosso país são: kiela-kimbundu; wela-umbundu; owela-kwanhama; kipela-kikongo; tchela ou muendo-cokwe.
O kiela é disputado num tabuleiro de madeira ou no chão, o número de filas de buracos para este jogo varia muito de região. Existem tabuleiros de 10x4, 10x2, ou outros. Exige-se dois jogadores. A posição inicial depende da experiência e do potencial dos jogadores.
O objectivo deste jogo e passatempo é a derrota do adversário, que acontece quando são capturadas todas as pedras do seu campo e passam para o campo do jogador vencedor.
O jogo tem um importante papel na literatura oral e é conhecido por ser um jogo de paz porque “este jogo pode transformar os inimigos, em amigos.”

  Estudantes ficam mais esclarecidos


O Museu Nacional de Antropologia, em Luanda, pretende continuar a criar programas educativos no sentido de promover, preservar e assegurar a divulgação do acervo cultural junto das comunidades estudantis, fundamentalmente, e do público em geral, destacou Evelize Njinga, a chefe de departamento de Museologia e Conservação da mesma instituição.
O projecto “A Peça do Mês”,  segundo a responsável, tem melhorado os conhecimentos dos estudantes das classe de base do I e II ciclos de ensino, fundamentalmente, e aumenta o nível de conhecimento sobre a herança etnográfica que descreve a vivência dos diferentes grupos etnolinguísticos de Angola.
Localizado no bairro dos Coqueiros, na Baixa de Luanda, o Museu Nacional de Antropologia está parcialmente aberto ao público, por motivo de obras de melhoria. Algumas actividades dirigidas são realizadas no sentido de manter-se o público familiarizado com o acervo, principalmente oos estudantes que procuram os serviços do museu fundado a 13 de Novembro de 1976. O Museu Nacional de Antropologia foi a primeira instituição museológica criada após a Independência Nacional ocorrida um ano antes. Esta instituição de carácter científico, cultural e educativo está vocacionada para a recolha, investigação, conservação, valorização e divulgação do património cultural nacional.
O museu tem 14 salas distribuídas por dois andares que abrigam peças tradicionais, designadamente utensílios agrícolas, de caça e pesca, fundição de ferro, instrumentos musicais, jóias, peças de pano feito de cascas de árvores e fotografias dos povos khoisan. Além do seu núcleo permanente, o museu recebe  exposições temporárias.

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