Jogos tradicionais em versão digital

Kumuênho da Rosa |
28 de Agosto, 2016

Fotografia: Santos Pedro

“Kyela” e “Não te irrites”, dois jogos popularíssimos em bairros periféricos de Luanda, vão ganhar versões digitais para serem praticados em computadores e smartphones.

Uma equipa de técnicos ligados ao programa Rede de Mediatecas de Angola (RMA) trabalha no desenvolvimento desse aplicativo informático para permitir que as versões digitais dos jogos ajudem a retirar das ruas centenas de milhares de jovens que passam grande parte do tempo nas ruas.
A aposta na digitalização desses jogos resulta de uma reflexão dos responsáveis do programa Rede de Mediatecas de Angola, sobre a necessidade de se encontrarem soluções para um problema que afecta milhares de famílias e o futuro de muitos jovens. No interior de bairros como Cazenga, Rangel e Sambizanga, em plena luz do dia, pequenos aglomerados de jovens entretidos com “Não te irrites”, “Kyela” e outros jogos.
Muitos pais queixam-se dos filhos que, de tanto apegados aos jogos, esquecem-se dos seus afazeres e responsabilidades, além do desperdício de tempo que era melhor aplicado com visitas a lugares de pesquisa, bibliotecas ou museus. O informático Benza Saúca,    director interino da Mediateca “Zé Dú”, no Cazenga, falou da componente de socialização da Rede de Mediatecas de Angola.
A intenção programa Rede de Mediatecas de Angola é trazer os jovens para cá, declara Saúca, apontado o dedo indicador para o chão liso e bem tratado da sala de leitura e multimédia, que é o praticamente o coração da Mediateca “Zé Dú”, onde se encontravam pouco mais de uma dezena de jovens, lendo e pesquisando na internet. “Em termos genéricos a Mediateca visa satisfazer as necessidades dos usuários. Sou do Cazenga e conheço o interior dos bairros. Nesse momento os jovens estão entretidos com jogos tradicionais, como “Não te irrites”, “Kiela” e outros. A intenção é trazer os jovens para aqui com os seus jogos”.
Segundo o informático, está em curso um processo de auscultação com intuito de apurar com que jogos os nossos jovens se têm entretido. Vamos digitalizar esses jogos, criar conhecimento para que sirvam também para as futuras gerações. “A mediateca está para conservar, divulgar e acima de tudo preservar. Vamos digitalizar esses jogos que são muito populares dos bairros, traze-los para cá com os seus praticantes”.
A preocupação dos responsáveis do programa Rede de Mediatecas de Angola com a inclusão e socialização dos jovens, num espaço dedicado ao cultivo do conhecimento, fica mais evidente na Mediateca “Zé Dú”, com a introdução de uma quadra desportivas, em que se prevê organizar várias actividades recreativas. Sétima na rede nacional de mediatecas, a Mediateca “Zé Dú” foi inaugurada na passada quinta-feira pela ministra da Ciência e Tecnologia, Maria Cândida Pereira Teixeira. Os responsáveis do projecto contam inaugurar ainda este ano a Mediateca do Cunene, e no próximo ano outras quatro, no Bié, Malanje, Uíge e Cabinda.
O programa Rede de Mediatecas de Angola prevê 25 unidades em todas as províncias. Até 2017 estarão em funcionamento 12 unidades, e a medida em que são construídas novas mediatecas, nas zonas em que ainda não foram instaladas os podem ser encontrados os mesmos serviços em qualquer uma das seis unidades móveis, que integram a rede.
O programa Rede de Mediatecas de Angola tem por objectivo complementar a ocupação dos jovens, bem como melhorar a qualidade do ensino dos mesmos através da construção de infra-estruturas modernas e que contribuam para a inclusão social e digital da população.
As mediatecas permitem o acesso à informação e ao conhecimento necessários ao desenvolvimento socioeconómico dos jovens, contribuindo para a formação e aperfeiçoamento do capital humano, ao mesmo tempo alargando o acesso à cultura e a utilização gratuita de novas tecnologias de informação.

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