John Bela defende políticas mais eficazes

Roque Silva
2 de Abril, 2016

Fotografia: Domingos Cadência

O escritor John Bela afirmou ontem, em Luanda, ser importante a criação de uma de distribuição do livro dedicados as crianças, a todos os sectores, por forma a garantir que este produto chega ao alcance do público alvo.

O escritor, que falava   ao Jornal de Angola por ocasião do Dia Internacional da Literatura Infantil, que hoje se comemora, destacou a importância de se fazer mais do que o Jardim do Livro Infantil e advertiu para os danos imprevisíveis que o futuro reserva a uma sociedade que não lê.



Jornal de Angola - Os livros publicados em Angola respeitam as características de uma obra para crianças?

John Bela - O respeito dessas características continuam a serem cumpridas, apenas pelos tradicionais fazedores deste género literário. Nomes como Eugénia Neto, Dario de Melo, Celestina Fernandes, Cremilda Lima, Octaviano Correia, Maria João Chipalavela e Ana Maria de Oliveira são os que fazem a literatura infantil, no verdadeiro sentido da palavra.

Jornal de Angola - Que outros autores seguem esta linha?


John Bela - Há novos autores que também seguem esta linha, tais como Isabel Ferreira, Kanguimbo Ananaz, Ngonguita Diogo, João Bernardo de Miranda, Yola Castro, Marta Santos, Kudijimbe, Rodherick Nehone e outros que cumprem  esta regra. De outra forma, grande parte da nova geração, não é que escrevam mal, longe disso, mas fazem uma literatura que chamam infantil, mas, de criança quase nada encontramos.

Jornal de Angola - Como avalia o mercado literário, em especial para os autores deste género?

John Bela - Não é muito satisfatório. Num Universo de 26 milhões de habitantes, pelo menos metade  deviam beneficiar do livro. O que acontece é que, por vezes, mil livros, a quantidade tradicional das tiragens, podem ficar aí três, quatro a cinco anos sem consumo. Falta de facto uma política de distribuição do livro.

Jornal de Angola - Que danos podemos estar a causar ao futuro com a pouca produção de livros infantis?

John Bela - As consequências são imprevisíveis. Por vezes pensamos que o facto de as pessoas apenas reivindicarem comida e saúde e não o livro, ele não causa prejuízos à sociedade,  enganamo-nos redondamente. Muitas vezes a falta de humanismo nos hospitais, ou noutros sectores da vida social está na base de que tais indivíduos não aprenderam como se devem comportar. E não nos esqueçamos de que os professores sempre recorrem a livros que, por sua vez,são escritos por escritores.

Jornal de Angola - Para si que políticas podem ser tomadas para aumentar essa aproximação entre as crianças e o livro?

John Bela - O Jardim do Livro é um complemento muito importante, mas não solução final. Primeiro devemos valorizar quem faz o livro infantil. Eu que faço todos os géneros digo-lhe sem medo de errar que escrever para crianças é muito mais difícil. Mas pouco valorizada. É legítimo que este escritor deve ser beneficiado com bolsas de criação e outros complementos que estimulem cada vez mais o seu poder criativo. Tal não acontece. Por exemplo, a remuneração dada a quem concorre a um prémio de literatura infantil é das mais ínfimas, com relação a prémios de outros géneros literários. Isso prova como é relegada em último plano, esta vertente escrita.

Jornal de Angola - É certo começar a carreira de escritor a partir da literatura infantil?

John Bela - Sim, sim. A escritora Ana Maria de Oliveira um dia disse: “Iniciar pela literatura infantil é começar pelo mais difícil”. Ela tem toda a razão.

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