Cultura

Jorge Vercillo busca a "mãe" da sua música

O cantor e compositor Jorge Vercillo, um dos grandes nomes da música popular brasileira (MPB), chega quarta-feira a Luanda onde nos dias 3 e 4 de Junho anima dois concertos no palco da Casa 70, com um convidado nacional, o contemporâneo Filipe Mukenga, inserido no projecto Serenatas à Kianda.

Cantor brasileiro faz dois shows na Casa 70
Fotografia: DR

Em declarações ao Jornal de Angola, via telefone, o músico brasileiro disse que vem a Angola à busca de um reencontro com a matriz da sua música. “Para mim, já é maravilhoso estar em Luanda. Mais do que isso: cantar para os angolanos é como reconectar-me com a matriz africana, mãe da minha música através do samba, jazz, reggae, blues, soul e tantos outros ritmos que formam o ADN da minha arte.”
Com 22 anos de carreira, 15 álbuns, prémios e sucessos que conquistaram fãs no Brasil e pelo mundo, o artista faz uma pausa na tournée internacional “A Experiência”, para se deslocar a Luanda para dois concertos que classifica como intimistas.
 A última vinda a Angola, em 2009, resultou na gravação da canção “Quando eu crescer”.  Com trecho cantado em quimbundo, o tema é fruto da parceria com Filipe Mukenga. Com o antigo parceiro, Vercillo pretende homenagear a música angolana com uma das suas canções mais tradicionais. “Na verdade, vou encontrá-lo depois de tanto tempo, gostaria de cantar com ele ‘Humbi-humbi’”, revela.
O homem das músicas em novelas, de conteúdo romântico cantado por muitas outras vozes da música brasileira, faz também  elogios à sonoridade e à poesia africanas. Em referência a Mukenga, faz menção aos acontecimentos históricos que impactaram também a arte angolana. “Dividir o palco com Filipe Mukenga representa para mim estar junto com uma fonte de poesia africana e mundial, um homem que venceu e passou junto com o seu povo, por uma das guerras civis mais longas da história da humanidade, muita história de vida e de amor à arte.”
Para a apresentação no projecto Serenatas à Kianda, o artista antecipa: “Como vou me apresentar de violão e com o percussionista Léo Mucuri, esse show vai ser mais intimista por um lado, no entanto mais universal e abrangente por outro lado”, explica.
No alimento dos concertos constam grande parte dos sucessos de novela, de rádio e novidades do público angolano, mas Vercillo promete não esquecer-se da parceria com Mukenga, e garante a execução de “Quando eu Crescer”:  “É uma música com o ritmo contagiante e que tem muito a ver com esse lugar, na minha opinião”, afirma.
O encontro com o público em Angola promete ser repleto de emoções. Uma das novidades que adianta é a apresentação de uma canção inédita. “Lendo sobre o mito da Kianda, me vem à mente cantar uma música ainda inédita, minha chamada ‘Eu Sou do Mar’, que fala dessa nossa ligação ancestral com o oceano e o que ele provoca em nossa imaginação”, adianta o músico.  Muito admirado no Brasil, mas também nos demais países de língua portuguesa, Vercillo pode considerar-se um artista do mundo. Além da recente tournée europeia, os demais planos seguem a reforçar uma carreira internacional.
Em Luanda, a agenda de divulgação em alguns veículos de comunicação antes dos concertos, permitirá um contacto com o público que o aguarda após oito anos de ausência. “É sempre bom estar perto das pessoas, conversar, trocar experiências e levar meu novo CD ‘Vida é Arte’ para as rádios”, declara Vercillo.
O projecto “Serenatas à Kianda” traz a Luanda artistas brasileiros consagrados e admirados também em Angola. Idealizado pela produtora angolana Zona Jovem, o projecto homenageia a capital angolana, inspirado no apelido de Cidade da Kianda, e pelas “serenatas” que proporciona aos amantes da música.
De acordo com o director executivo da Zona Jovem Produções, Figueira Ginga, Luanda é a inspiração para os shows clássicos do projecto, tendo como linha o estilo musical “trova”, aproximando-se assim do conceito de uma Serenata, privilegiando o uso de instrumentos acústicos e essencialmente com voz, violão e percussão, criando um ambiente intimista e de grande proximidade com o público.
Cada show do projecto vai ter um artista angolano e um brasileiro a dividir o palco. Para a primeira temporada, está igualmente confirmada, para o dia 28 de Julho, uma apresentação única de Gabriel Tchiema e da brasileira Maria Gadu.

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