José Rodrigues deixa talento na Escultura

Adriano de Melo |
11 de Setembro, 2016

Fotografia: DR

Excepcional. Assim se pode definir o artista plástico José Rodrigues, que morreu ontem, aos 79 anos, no Porto, e que durante anos marcou as belas artes com várias propostas estéticas inovadoras e emblemáticas.

Considerado por muitos como o “escultor que não acreditava no efémero”, José Rodrigues foi para a sua sobrinha, Suzana Guerra Marques, uma figura incontornável das belas artes, cujo trabalho e talento sempre vão acompanhar a memória das pessoas. “Era um grande homem, dedicado em tudo o que fazia”, disse.
Detentor de um talento único, que ao longo de anos não ficou limitado apenas à escultura, mas também foi visível na arte de desenhar, por durante anos ter feito, por exemplo, retratos do escritor angolano António Jacinto, que foi um dos seus contemporâneos.
Esta também foi, durante anos, a apreciação de muitos jovens artistas que queriam aprender com um dos mais emblemáticos escultores da segunda metade do século XX, em Portugal. Autor do cubo da Praça da Ribeira e do Monumento ao Empresário, ambos no Porto, José Rodrigues morreu num hospital no Porto, onde estava internado há cerca de uma semana.
Apesar de ter feito grande parte da sua carreira no Porto, José Rodrigues era natural de Luanda, onde nasceu a 21 de Outubro de 1936. A sua obra, que viaja da figuração à abstracção, transmite a vocação à eternidade que encontramos no trabalho da pedra e metal desde os primórdios da civilização até hoje.
Constantemente atento às mudanças de gosto e estilo, que se fizeram sentir na prática artística durante as quase cinco décadas em que trabalhou, tinha uma consciência rara do papel que o artista deve exercer na sociedade. O seu trabalho no campo da escultura, particularmente na feita em espaços públicos, tornou-o um nome de referência do Porto, pelo Monumento ao Empresário e pelo Cubo na Praça da Ribeira, assim como em muitas cidades do Norte de Portugal, onde desenvolveu uma estética única, também patente em Macau, Brasil e Estados Unidos.
José Rodrigues foi um dos fundadores da Cooperativa Árvore no Porto, em 1963, que dirigiu durante três décadas, e da escola profissional com o mesmo nome. Além disso, foi também um dos fundadores da Bienal de Cerveira, no final da década de 70, vila onde fundou ainda a Escola Profissional de Ofícios Artísticos.
Desde a altura em que começou a sua actividade artística, José Rodrigues ficou também conhecido pela sua vocação altruísta e social que encontra eco nos mais jovens artistas de hoje. No Porto, por exemplo, recuperou a antiga Fábrica Social (de chapéus), um espaço que usava como atelier e onde está instalada a fundação com o seu nome, que tem salas de exposição e um auditório para teatro e artes performativas.
Ontem, o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, decretou dois dias de luto municipal. A câmara iniciou este mês obras de restauro do Monumento ao Empresário, cuja conclusão esta prevista para o final de Outubro, data de nascimento do escultor. O funeral realiza-se em Matosinhos, arredores do Porto.
José Rodrigues realizou os seus estudos artísticos na Escola Superior de Belas-Artes do Porto, onde concluiu o curso de Escultura. Com Armando Alves, Ângelo de Sousa e Jorge Pinheiro constituiu, em 1968, o grupo Os Quatro Vintes, denominação ganha por terem terminado os seus curso com a distinção máxima de 20 valores.

capa do dia

Get Adobe Flash player




ARTIGOS

MULTIMÉDIA