Cultura

Jovens criadores mostram talento em feira da comunidade lusófona

Manuel Albano e Mário Cohen

A multiculturalidade e a riqueza linguística da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) vão estar em evidência, a partir de hoje, às 17h00, com a inauguração, no Museu de História Militar, em Luanda, da 9ª edição da Bienal de Jovens Criadores, um factor de identidade dentro da diversidade.

Técnicos têm trabalharam por dias seguidos para montarem o palco e áreas adjacentes, onde vão ser apresentadas as criações
Fotografia: Mário Cohen | Edições Novembro

O objectivo do projecto é, como explicou o porta-voz da bienal, criar uma “ponte de unidade” entre os países membros que, apesar da distância geográfica, partilham laços comuns. Para Kikas Machado, encontros do gé-nero permitem não só a solidificação do intercâmbio dos participantes, como também ajudam a fortalecer a aproximação social e cultural. “São portas para novos horizontes”, disse.

O porta-voz da bienal in-formou ainda que até ontem, às 13h00, os membros das delegações já tinham chegado ao país, excepto os representantes da Guiné Equatorial. “Mas, ainda estamos à espera que cheguem a qualquer momento”, adiantou, acrescentando ter sido uma surpresa o facto de a delegação de Timor-Leste ter sido a primeira a chegar e a mais representativa. “Em parte, por ser um dos países mais afastados, geograficamente, da CPLP. Não esperávamos tal assiduidade”, afirmou.
A bienal, prossegue, é uma forma de criar laços mais fortes de aproximação, através da cultura e “uma das maiores vantagens do encontro é a participação, em peso, dos jovens artistas da comunidade.” As delegações, que estão alojadas num hotel no Morro Bento, Luanda, têm a oportunidade de, até domingo, mostrarem o melhor das suas culturas, através de várias exposições de artes plásticas, espectáculos de música, teatro e dança, desfiles de moda e ainda encontros com escritores lusófonos e exibição de filmes.
A realização da bienal, destacou, vai permitir, acima de tudo, uma maior divulgação da actual produção artística dos jovens criadores da CPLP e, consequentemente, da cultura dos países membros, assim como dar ao público um vislumbre dos traços identitários comuns, ou dos diferentes, típicos de cada região.
Com entradas livres, a organização da bienal espera receber, diariamente, pelo menos, 400 visitantes, dispostos a conhecer um pouco mais sobre o génio criador dos jovens artistas da comunidade lusófona, através de encontros, debates e demonstrações de arte.
“A bienal é um espaço de debate e reflexão sobre arte, no qual se vai poder também partilhar vivências e opiniões sobre política, economia ou a actual sociedade. Além das exposições, estão previstas conferências, visitas a locais históricos e diversas intervenções urbanas. Por isso, estamos orgulhosos de realizar a bienal. É também uma oportunidade de divulgar mais a cultura angolana junto da CPLP”, explicou.
Kikas Machado disse ainda, ontem, ao Jornal de Angola, que à margem da bienal, acontece hoje, a partir das 8h30, no Hotel Epic Sana, em Luanda, a abertura oficial da 12ª conferência de ministros da Juventude e Desportos da CPLP. Os representantes de todos os países já estão no país.

Tudo a postos
Até ontem, às primeiras horas do dia, os trabalhos de preparação do espaço continuavam a decorrer a bom ritmo. Mariano Nascimento, da em-presa responsável pela montagem do cenário, já dava os trabalhos por terminados na sua totalidade.
Os espaços, montados na zona adjacente ao Museu de História Militar, porque, como disse Mariano Nascimento, para melhor salvaguarda do património da instituição, incluem áreas para os expositores, nacionais e visitantes, um local de refeição e outros de entretenimento, assim como um palco.
Além dos espaços habituais para os expositores, num total de 22 pavilhões, a organização inclui também áreas para a exibição de criações de moda, jóias, venda de livros e um lugar reservado aos Serviços de Polícia e Poteccção Civil e Bombeiros.
Mariano Nascimento adi-antou ainda que, como forma de precaução, pretendem colocar barreiras em torno do morro do museu, de forma a evitar quaisquer perigos para o público. “Apenas como forma de prevenção, porque, às vezes, as pessoas podem sentir-se tentadas, caso já tenha consumido bebidas alcoólicas, a aproximar-se demais da do para peito do museu e correrem o risco de cair”, justificou.
A questão da iluminação também já foi garantida, assim como das tendas a serem usadas como bastidores dos artistas. “Como os espectáculos decorrem até muito tarde, a iluminação era algo fundamental, para uma realização condigna da bienal em Lu-anda. Determinados pontos vão ter especial atenção, em especial aqueles que devem registar grande afluência de público, como a área de alimentação”, concluiu.

Programa
Para hoje, primeiro dia da bienal, está previsto, até às 22h00, a realização de diversas actividades culturais, com realce para a inauguração oficial, uma visita guiada das entidades convidadas pelos pavilhões e um espectáculo de música.
Amanhã, a bienal abre com uma oficina de literatura, às 9h00, no mesmo recinto, e prossegue com a realização de encontros sobre dança e um show de kuduro. Além disso, é realizada, na Avenida 21 de Janeiro, em Luanda, uma exibição de grafite e artes urbanas.

Tempo

Multimédia