Jovens vindas dos EUA e Portugal no Efiko


30 de Dezembro, 2014

Fotografia: Francisco Bernardo

O empenho da Igreja em preservar e introduzir princípios típicos da cultura angolana na sociedade contemporânea angolana foi exaltado, ontem, na Huíla, pelo embaixador de Angola em Portugal, José Marcos Barrica.

O diplomata, que assistiu, no domingo, uma cerimónia do “Efiko” – a festa tradicional da passagem para a puberdade das meninas – realizada na Paróquia da Mama Muxima do Toco, considerou essencial o papel da Igreja Católica na salvaguarda de actos culturais das regiões, sem desfocar a sua missão evangelizadora.
Para o embaixador, a intervenção da Igreja na festa da puberdade dá um valor acrescentado e ajuda a manter o simbolismo da transição da adolescente para a juventude, dando-lhe um sentido espiritual ao invocar a Sagrada Família. “A Igreja está a evidenciar o aspecto espiritual na tradição cultural e a aproximar a comunidade da Igreja”, disse Marcos Barrica. O “Efiko” é a fase de transição para a adolescência, em que as meninas são submetidas a um ritual de três dias, vestidas de panos tradicionais, descalças e com o cabelo revestido de missangas coloridas. Um das obrigações no ritual é matar um boi para as mulheres adultas, as “mufikos”, e os convidados.
A versão masculina deste ritual é o “Ekwendje”, durante a qual se faz a circuncisão dos rapazes. Antes do acto, os meninos devem permanecer juntos, mas afastados da comunidade numa cabana, durante uma semana. Nessa altura, todos recebem o nome “Tava”, que significa “compadres para a vida toda”, por partilharem estes momentos juntos.
Ambas as celebrações são traços do grupo etnolinguístico Nyaneka Humbi, fixado na região da Huíla. Um dos destaques da cerimónia de domingo foi a participação de três jovens estudantes, que vieram de Portugal e dos Estados Unidos, para serem submetidas ao ritual.

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