Cultura

Julu encerra temporada na Liga

Manuel Albano

A frustração, depressão e o desespero podem levar à morte. Este é o foco da proposta cénica sobre discriminação social a que as pessoas com deficiência física são sujeitas, pelo que o grupo Julu exibe, hoje, às 20h00, na Liga Africana, em Luanda, o espectáculo “O Futuro Constrói-se Hoje”.

Actores do grupo fecham ano com exibição de peça de teatro
Fotografia: DR

Três anos depois da última exibição, na capital, o grupo volta a apresentar o espectáculo que marca o encerramento das actividades artísticas do ano do Julu, garantiu, ontem, ao Jornal de Angola, o actor Manuel Teixeira.
De acordo com o actor, a peça chama a atenção da sociedade para o respeito aos antigos combatentes e veteranos da pátria e a inserção destes nas comunidades.
Ao todo, seis actores do grupo e três colaboradores dão vida aos personagens da peça “O Futuro Constrói-se Hoje”, que narra o desprezo da sociedade, o pretexto de incapacidade física, visual ou mental e protecção contínua às pessoas com qualquer tipo de deficiência e dificuldades de inserção no mercado de trabalho.
Com texto de Alves Sardinha, a peça retrata a vida de um jovem promissor que se entrega ao alcoolismo ao ver os objectivos frustrados. Vilolo é um estudante exemplar que perde um dos membros no cumprimento do serviço militar obrigatório.
O jovem é excluído das entrevistas de emprego, muitas delas dirigidas por antigos colegas e directores das respectivas empresas, depois de terminar o serviço militar. Desesperado e em depressão, Vilolo “mergulha” no alcoolismo e morre de uma doença causada pelos efeitos ou consequências do consumo excessivo.
Um dos pontos altos da peça acontece horas antes do funeral, com os antigos colegas de escola, hoje directores de empresas, a fazerem promessas à família do malogrado. Durante os elogios fúnebres, alguns jovens descontentes, que reclamavam justiça social, repudiaram a atitude negativa dos “companheiros” de Vilolo.

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