Cultura

Kamanda Kama defende a promoção da literatura

Manuel Albano

O escritor congolês Ka-manda Kama Sywor é o convidado especial de mais uma edição da tradicional “Maka à Quarta-feira”, que acontece hoje, às 18h00, na União dos Escritores Angolanos (UEA), no Largo das Escolas, em Luanda.

Escritor congolês (à esquerda) participa hoje no debate na UEA
Fotografia: DR

A iniciativa é da Aliança Francesa de Luanda, em parceria com a UEA. Durante a habitual “Maka”, o escritor do Congo Democrático vai falar da suas obras e da promoção da literatura africana no mundo.
Kamanda Kama Sywor é poeta, romancista, dramaturgo, conferencista, ensaísta e contador de histórias em língua francesa. É, também, um dos intelectuais comprometidos com a evolução de ideias sobre a História de África.
Com base no currículo literário do autor, a UEA organizou na segunda-feira, entre as 16h00 e 19h00, um debate sobre a circulação e promoção da literatura infantil no continente africano, em que se apontaram  caminhos e soluções, contou com a participação de dezenas de crianças de várias instituições de en-sino e escritores de literatura infantil, nomeadamente,  Maria Eugénia Neto, Celestina Fernandes, Maria de Oliveira e Kanguimbo Ananaz.
Durante o debate houve animação musical do Duo Canhoto e jovens do Centro Polivalente Nzoji. O escritor Kamanda Kama Sywor fez uma dissertação em que lamentou o facto da literatura africana, na generalidade, e a infantil, em particular, ter pouca divulgação no próprio continente, o que na sua óptica “periga o acesso ao conhecimento e à informação dos jovens”. Embora reconheça alguns esforços implementados por vários Governos na promoção e conhecimento das obras e dos seus autores, quer em África, como no exterior, "as novas gerações estão a ser impedidas do acesso à educação e às novas tecnologias de informação, caminhos fundamentais para combater a ignorância e o analfabetismo”.
Realçou que o fortalecimento de parcerias entre instituições públicas, no domínio das artes, incluindo a tradução de obras, é um dos caminhos a seguir para a divulgação da literatura infantil a nível do continente.
“A literatura infantil só evolui quando existirem diálogos permanentes entre os escritores africanos e as instituições que devem promover a dinâmica da circulação das obras e dos próprios autores”, salientou.
Um outro motivo, que trouxe Kamanda Kama Sywor ao país, tem a ver com o aprofundamento do conhecimento sobre algumas figuras representativas da História de Angola, como o Primeiro Presidente, António Agostinho Neto, e a heroína Njinga Mbande, que vão fazer parte de uma das suas obras literárias.
“Ouvimos falar dessas figuras relevantes da história do continente africano, sempre na perspectiva do ocidente, quero mudar esse paradigma”.
Para o secretário-geral da UEA, Carmo Neto, o encontro serviu para conhecer um homem de letras do continente africano, pouco conhecido entre os angolanos.

Tempo

Multimédia