Cultura

“Kandongueiro Voador” no anfiteatro Aula Magna

Ferraz Neto

O anfiteatro da Aula Magna, da Universidade de Lisboa,  acolhe hoje, o show de apresentação, em Portugal, do novo trabalho discográfico de Paulo Flores, “Kandongueiro Voador”.

Paulo Flores apresenta em espectáculo o seu mais novo trabalho discográfico aos lisboetas
Fotografia: João Gomes|Edições Novembro

Dono de um reportório invejável, Paulo Flores,um dos nomes de referência da música popular angolana, depois de ter apresentado em Outubro na Praça da Independência, em Luan-da, fá-lo agora na capital portuguesa.
Prestes a completar 30 anos de carreira, neste espectáculo na Aula Magna, o músico e compositor, tem a companhia do guineense Manecas Costa, do angolano Walter Ananás e de Dj Satélite.
Na sua página da rede so-cial Facebook, Paulo Flores, realça a pertinência do espectáculo. O disco “Kandongueiro Voador” é composto 12 temas, sendo 11 inéditos, cantados numa linguagem mais poética que retratam o quotidiano dos angolanos e a dinâmica dos acontecimentos do dia a dia.
Amante do semba e com cerca de 30 anos de música e mais de uma quinzena de discos no seu portfólio, Paulo Flores nasceu em Luanda em Julho de 1972. Paulo Flores sempre ostentou os valores da cultura angolana, desde a sua herança patrimonial às suas expressões mais vanguardistas, numa busca constante de novas fórmulas e sempre aberto às demais influências musicais. Ao lado de Eduardo Paim e de Ruca Van-Dunem, dois companheiros fundamentais no seu percurso, lançou o álbum de estreia “Kapuete Kamundanda”, gravado entre os estúdios da Rádio Nacional de Angola e Portugal.
Temas como “Sassassa”, “Coração Farrapo”, “Cherry”, “Marika”, “Innocenti”, “O Povo”, “Processos da Banda”, “Cabelos da Moda”, “Amores de Hoje”, “Canto de Rua”, “Isso é Boda”, “Ngolope”, “Fogo na Huíla”, “Reencontro” e “Tunda Munjila”, ficaram até hoje, entre outros, no imaginário e na memória colectiva dos africanos do mundo lusófono.
Em 1998 grava o álbum “Perto do Fim”, que marca uma nova fase na criação de Paulo Flores, amadurecida em 2001 com o disco “Recompasso” e concretizada em 2003 com Xê Povo. Uma linguagem diferente que abre espaço à influência de outros géneros musicais e que incute uma maior subtileza na instrumentação, embora sempre fiel à sua estética.
Dos maiores intérpretes kizomba e semba, Paulo Flores já teve participações com músicos como Jaques Morelenbaum e Ciro Bertini a Dog Murras, passando por Tito Paris, Manecas Costa, Sara Tavares, Mayra Andrade e Lura, entre outros.
Paulo Flores desempenha ainda um papel social importante no apoio à modernização da música angolana ajudando os jovens músicos nacionais em acções de solidariedade social, enquanto Embaixador da Boa Vontade da ONU em Angola.
Na trilogia “Ex-Combatentes” – Viagem, Sembas e Ilhas – um dos seus êxitos, é uma reflexão sobre o que sente perante as transformações que observa todos os dias da janela de sua casa.
“Ex-Combatentes” conta com participações de artistas nacionais, entre os quais Eduardo Paim, o guitarrista Boto Trindade, a Banda Maravilha, a cabo-verdiana Mayra Andrade, e músicos portugueses e brasileiros.

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