Cultura

Kanguimbo Ananaz em antologia lusófona

Roque Silva

A escritora Kanguimbo Ananaz integra um leque de 19 autores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), cujos trabalhos deram origem à antologia “19 Cartas para a Covid-19”, com edição física agendada para os próximos meses.

Poetisa angolana está entre as seleccionadas para a colectânea da Associação Xitende
Fotografia: DR

A colectânea, uma iniciativa da Associação Cultural Xitende, de Moçambique, reúne 19 textos literários inéditos e de autoria de destacados escritores da CPLP, muitos dos quais premiados nos seus países. Os textos estão disponíveis numa primeira fase nas páginas e plataformas de internet oficiais da referida associação, que integra académicos, investigadores e artistas.

A antologia deve ser editada em livro físico nos próximos meses em várias línguas, fruto das conexões existentes entre a Associação Cultural Xitende com suas congéneres, editoras e universidades internacionais. 

Kanguimbo Ananaz participa com “Quarentenando”, um texto narrativo, no qual a escritora faz uma introspecção ao continente africano, aos problemas que mais o afligem, sobretudo em época de pandemia, e que apesar da pobreza extrema e as guerras é um espaço com um futuro promissor.

A autora traz uma poesia de reflexão, num diálogo com objectos à sua volta, onde a Covid-19 é apresentada como cidadão do universo, viajante sem barreiras nem fronteiras. A autora disse ao Jornal de Angola que pesou na escolha o facto de escrever e publicar textos de forma regular nas redes sociais. “Enquanto algumas pessoas ficaram fechadas e apreensivas, eu fui publicando sempre nas redes sociais e a organização foi acompanhando”, disse. O texto com o qual participa na antologia foi criado em casa.

Kanguimbo Ananaz aconselhou escritores a aproveitarem o período de isolamento social para usarem as plataformas digitais para partilhar textos, por forma a se manterem mais próximos dos leitores. A poetisa afirmou que já começa a ganhar reconhecimento fruto da partilha de textos nas redes sociais, porquanto tem recebido propostas para participar em encontros em vários países, com destaque para Moçambique e Chile. “Mais do que dinheiro, os autores podem ganhar ainda mais visibilidade e reconhecimento por estarem a ser lidos com frequência”.

De acordo com a escritora, apesar das dificuldades que está a causar, a pandemia veio ajudar algumas pessoas, sobretudo os artistas, a se redescobrirem. Os artistas, por exemplo, são obrigados a estar ligados à internet para investigar por forma a auto-superarem-se e marcarem presença nas redes sociais, partilhando as suas novas criações.

“Seios e Ventos”

O mais recente livro de poesia “Seio e Ventos” teve o lançamento presencial cancelado por conta do surgimento da pandemia. O livro é uma homenagem às mulheres e à diversidade étnica de Angola, e aborda os problemas sociais e afectivos do ser humano.

Composto por poemas escritos ao longo dos anos, o livro traz na capa a figura de uma mulher mucubal, grupo etnolinguístico da autora.
O livro foi apresentado numa Live, transmissão ao vivo, seguida por mais de mil de visualizações, durante a qual a escritora anunciou estarem abertos contactos para a entrega de exemplares ao domicílio.

Kanguimbo Ananaz tem 11 livros publicados, em poesia, contos infantis, infanto-juvenis e ensaios, e presença em quatro antologias nacionais e internacionais. Psicóloga e mestre em Língua e Literatura Africana, pela Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto, e mestre em Língua Portuguesa e Literaturas em Língua Portuguesa, pela Universidade Metodista, foi galardoada em 2019 com diploma de honra pela organização do IV Festival Internacional de Poesia, que decorreu na cidade de Xai-Xai, em Moçambique, em reconhecimento à sua contribuição para a exaltação da Literatura Africana.

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