Cultura

Kassav encerra em apoteose

Roque Silva

Unidos pela mesma paixão da música zouk, as bandas Kassav, Livity e Tabanka Djaz foram as principais atracções do segundo e último dia da primeira edição do Festival Angola Zouk, que encerrou, domingo, na Baía de Luanda.

Actuação dos Kassav na Baía fez o público desafiar o cansaço da madrugada de segunda-feira
Fotografia: Agostinho Narcíso| Edições Novembro

O concerto reuniu as bandas mais conceituadas do género musical de origem das Antilhas, há mais de 30 anos. Interpretaram vários sucessos, a que se juntaram os angolanos Yuri da Cunha e Nsoki, e a caboverdiana Yasmine, entre outros cantores angolanos e estrangeiros.
Com mais de sete horas de duração, incluindo performances, o concerto ficou marcado pelos atrasos nos intervalos para mudança de instrumentos das diversas bandas, sendo um dos pontos negativos que fez algumas pessoas abandonar o local.
Apesar disso, o espectáculo ganhou a dimensão de celebração de fraternidade entre artistas de nacionalidades distintas, unidos pela arte musical do zouk.
Tudo começou às 19H19, quando Nsoki abriu o concerto, após o anúncio dos apresentadores, Calado Show e Edvánia do Carmo. Trajada de preto, a cantora entra em palco a esbanjar um sorriso, sinónimo de boa disposição. Considerada  “princesa do zouk”, Nsoki interpretou “Africa Unite”, no estilo afro house, ritmo fora do padrão para o qual festival foi criado.
Seguiu-se a nova sensação da música cabo-verdiana, Yasmine, que actuou pela primeira vez no país. No palco, recebeu muitos aplausos e apresentou um repertório com temas conhecidos do público: “Não posso”, “Perfume” e “Esquece o mundo”. A noite teve, ainda, a surpreendente presença do cantor, produtor e compositor Tó Semedo, muito aplaudido ao interpretar a canção “Não tem que encantar”, dando lugar à banda Tabanka Djaz.
Imbuídos do espírito de paz e alegria, e liderados por Micas Cabral, os Tabanka Djaz se apresentaram de branco, e animaram ao som das músicas “Rusga di 7/2”, “Sub 17”, “Depois do silêncio” e “Tira a mão da minha xuxa”.
Os guineenses deram lugar a Yuri da Cunha, que subiu ao palco homenageando a música zouk. Interpretou um remix do tema “Antilhase”, de Eddy La Viny. Deu sequência com “Kakinhento”, original de Robertinho, “14 Chuvas”, de Teta Lando, “Regressa”, de Euclides da Lomba, “Gago”, “Kuma Kia Kié” e encerrou com “Amor”, do grupo Tujila Tuajokota.
O relógio marcavam 23h30 quando a banda Livity tomou de assalto o palco, para uma das performances mais emocionantes da noite. Os cabo-verdianos interpretaram, dentre outros sucessos, as canções “Bia”, “Dilo”, “Coraçao blues”, “Lolita”, “Rosinha”, “Livity”, “Felicidade” e “Morena”, nas vozes de Jorge Neto, Grace Évora e Zé Carlos. Extrovertido, Jorge Neto animou a plateia, interagindo com danças "break dance" durante uma hora e 20 minutos, de ritmo, jovialidade e inúmeros aplausos.
A emoção tomou conta de Jorge Neto, que ao agradecer a forma calorosa como foi recebido, atirou-se ao chão. O cantor chamou, de seguida, Yuri da Cunha, e ambos partilharam o palco com “Sem ninguém”, abraçados para encerrar a actuação da banda.
Tida como a banda cabo-verdiana mais consistente dos últimos 30 anos, os Livity, in-tegra músicos com carrei-
ras individuais, deu lugar aos pioneiros do zouk: Kassav, a banda tão aguardada, considerada como “Filhos de An-gola”, embora sejam todos de naturalidade antilhana. A actuação do grupo começou à 1h20 e encerrou às 2h50, da manhã com o público já exausto, mas ainda disposto a desafiar o cansaço,  para ver a actuação na Baía de Luanda, de Jocelyne Beroard, Jacob Devarieux, Georges Décimus, Jean Philipe Marthely e Jean Claude Naimro, os nomes carismáticos do Kassav.
A banda deixou o público emocionado pelo resultado da execução instrumental, fiel à qualidade sonora do registo discográfico, registado há várias décadas e que milhares de admiradores no país e no mundo.
Entre outros temas, a banda que resiste ao tempo face aos ventos e surgimento de diversos géneros e estilos da música moderna, desfilaram todo o "charme" ao som das músicas “Oh Madiana”, “Siow”, “Yep Yep”, “Ou le”, “Mamaladam” e “Ujala Errete”, acompanhado de danças.

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