Kiluanji Kia Henda mostra criações artísticas


27 de Setembro, 2015

Fotografia: Paulino Damião

O artista Kiluanji Kia Henda continua a levar o seu trabalho além fronteiras, e faz parte, desde ontem, de três distintas exposições colectivas, uma em Graz, na Áustria, outra em Joanesburgo, na África do Sul e a terceira em Lisboa.

A primeira, que está patente na Rotor, Centro de Arte Contemporânea, tem como título “That’s not my History” (Essa não é a minha História), e questiona se a forma como analisamos eventos da história contemporânea não é o resulatdo de condições políticas e sociais.
Segundo um comunicado de imprensa enviado ao Jornal de Angola, os trabalhos expostos têm em comum estar em oposição à História definida por nacionalismo, imperialismo, xenofobia ou sexismo.
Esta colectiva, patente até a finais de Novembro, com curadoria de Margarethe Makovec & Anton Lederer, junta  Kiluanji Kia Henda a artistas como bankleer, Yevgenia Belorusets, Dante Buu, entre outros.
Esta exposição é co-produzida pelo Festival Internacional de Artes Steirischer Herbst 2015, que programa artistas emergentes e  estabelecidos da criação artística contemporânea mundial, nas áreasdosteatro, dança, música e artes plásticas.
Segundo o comunicado de imprensa, a segunda mostra, que fica patente até 11 de Novembro, na Goodman Gallery, em Joanesburgo, é uma colectiva sob o título “To be Young, Gifted, and Black”, com curadoria do artista Hank Willis Thomas.
A galeria, que tem como missão investigar momentos críticos que ligam as histórias interligadas da “global black life”, no seu texto introdutório a estra mostra explica que a exposição tem como título a canção de Nina Simone de 1969  com o mesmo nome. “To be Young, Gifted, and Black” foi uma composição que Simone criou em memória do seu amigo Lorraine Hansberry, que morreu em 1964 com apenas 34 anos de idade. O espírito dessa mesma canção, liga os tempos ferverosos do movimento para os  Direitos Civis nos Estados Unidos da América, até ao hashtagdo presente “#BlackLivesMatter?”, e é usada como mote para convidar artistas contemporâneos a refletirem sobre a importância da vida e as condições adversas que são impostas  num momento específico e muitas vezes prolongado.
Nesta exposição o artista Kiluanji Kia Henda partilha espaço com Nina Chanel Aabney, Derrick Adams, Sadie Barnette, Zoe Buckan, Yashua Klos, Tabita Rezaire, para citar alguns. A terceira exposição “Ilha de São Jorge” patente no Hangar é uma reposição do projecto apresentado na Bienal de Arquitectura de Veneza em 2014, na continuidade dos projectos “BeyondEntropy Angola”. “Ilha de São Jorge” propõe uma reflexão sobre o modo como a modernidade foi concebida, desenvolvida, construída, habitada, absorvida e por vezes rejeitada em cinco países de língua portuguesa: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, e produz um modelo de condições urbanas que pode conduzir a novas perspectivas sobre desenvolvimento urbano e discurso arquitectónico nestas regiões. Kiluanji Kia Henda vai apresentar a curta-metragem “Afectos de Betão - Zopo Lady” (2014) inspirado no livro do escritor polaco Ryszard Kapuscinski “Mais Um Dia de Vida - Angola 1975”. Kia Henda explora o vazio da cidade após a partida dos portugueses, dando visibilidade à arquitectura única de Luanda.

Biografia do artista

Kiluanji Kia Henda nasceu em 1979, vive e trabalha entre Luanda e Lisboa. É um artista autodidacta e cresceu num meio habitado por entusiastas da fotografia, que o inspiraram a criar a sua própria arte e discurso. Mais tarde começou a dissecar a sua própria linguagem, através de colaborações na música, teatro experimental e colaborando com um colectivo de artistas em Luanda. Alguns destes, mais tarde com Kia Henda,fizeram parte da Primeira Trienal de Luanda,  plataforma que os impulsionou a expor trabalhos não só em Angola mas internacionalmente. Kia Henda explora, através da fotografia, video, performance e escultura, temas como a história colonial e as percepções do  Modernismo em África.
Kia Henda fez projectos em cidades como Lisboa, Cidade do Cabo, Veneza, Paris, São Tomé, Amman e Sharjah. Participou nas seguintes exposições (selecção): “Primeira Trienal de Luanda”, 2007; “Check List Luanda Pop, Pavilhão Africano”, Bienal de Veneza, 2007; “Farewell to Post-Colonialism”, Trienal de Guangzhou, 2008; “There is always a cup of sea to sail in”, 29ª Bienal de São Paulo, 2010; “Tomorrow Was Already Here”, Tamayo Museum, Cidade do México, 2012; “Les Prairies, Les Ateliers de Rennes”, Rennes, 2012; “Mondays Begins On Saturday”, Primeira Trienal de Bergen, 2013; “The Shadows Took Form, The Studio Museum of Harlem”, Nova Iorque, 2013; “The Divine Comedy, Museum für Moderne Kunst, Frankfurt an SCAD Museum”, Georgia, 2014; “Surround The Audience, New Museum Triennial”, Nova Iorque, 2015.
Em 2012, Kiluanji Kia Henda ganhou o Prémio Nacional para a Cultura e as Artes, atribuído pelo Ministério da Cultura de Angola. Em 2014, foi seleccionado como um dos “Leading Global Thinkers” pela revista norte-americana “Foreign Politics”, como resultado do seu projecto acerca dos programas de caridade em África, intitulado “Organization of African States for Mellowness”.

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