Cultura

Kiluanji kia Henda vence prémio "Frieze"

Roque Silva |

O artista plástico Kiluanji kia Henda tornou-se no primeiro africano a conquistar o troféu “Artista Frieze”, atribuído anualmente pela empresa inglesa de comunicação e promotora de arte e da cultura contemporânea, a Frieze.

Busto de Lenine é o objecto central da instalação produzida pelo artista cuja narrativa espelha um dos conflitos ocorridos em África
Fotografia: DR

O artista recebeu o prémio na feira internacional “Frieze London”, que encerrou quinta-feira, na capital inglesa, justamente na data que foi comemorado o Dia de África, e superou a concorrência de mais de 500 artistas de 82 países, na quarta edição da distinção.
Videoasta, “performer” e fotógrafo, Kiluanji kia Henda sucede os artistas Yuri Pattison, da Irlanda, a nova-iorquina Rachel Rose e a francesa Mélanie Matranga, detentores dos troféus de 2016, 2015 e 2014, respectivamente.
A proposta que deu o prémio a Kiluanji kia Henda é uma instalação intitulada “Olho silencioso de Lenine”, dividida em duas partes, sobre o marxismo-leninismo no período pós-independência em Angola, alinhado paralelamente entre práticas de bruxaria durante a guerra civil e as narrativas de ficção científica usadas pelas super-potências da Guerra Fria.
A página oficial dos prémios Frieze informa que a “performance” propõe análises e discussões de como a ficção e o seu poder de manipulação se tornam uma arma vital em situações de extrema violência.
Neste projecto, refere a publicação, o busto de Lenine volta a ser o objecto central de uma peça de instalação e performance, onde as memórias e narrativas de um dos conflitos mais sangrentos da África se fundem com a transcendência da bruxaria e a dimensão dogmática de uma ideologia política.
“Apesar de ser uma doutrina política que rejeitava a religião, a forma como o marxismo-leninismo foi doutrinado durante a revolução exigia lealdade rigorosa e crença inquestionável, semelhante à prática religiosa”, consta na informação divulgada no site oficial sobre as obras do artista.
A proposta e candidatura de Kiluanji kia Henda foi seleccionada por um júri presidido por Jo Stella-Sawicka (director artístico dos prémios) e incluiu Raphael Gygax (curador de projectos da Frieze e do Museu de Arte Contemporânea de Zurique), Tom Eccles (director executivo do Bard College, Centro de Estudos Curadores do Instituto do Ensino Superior de Annandale-on-Hudson, em Nova Iorque), Eva Birkenstock (directora da Associação de Arte das regiões alemãs de Renânia e Westphalia) e o artista Cory Arcangel.
Com a conquista do troféu, o jurado convidou Kiluanji para realizar, de 4 a 8 de Outubro, uma nova instalação performativa num projecto sem fins lucrativos da feira, com a curadoria de Raphael Gygax. O programa do projecto vai ser anunciado em Junho.
Em 2016 Yuri Pattison instalou uma obra em rede em todo o espaço da feira, explorando dados e sistemas de interpretação e controle, enquanto a vencedora, de 2015, ­Rachel Rose, criou uma obra (performance) em que a iluminação e o design de som simulavam as frequências sonoras e visuais dos animais que habitavam o parque real de Londres “The Regent’s Park”. Em 2014, a francesa Mélanie Matranga explorou o intercâmbio económico e emocional em uma série de vídeos on-line e uma instalação de café.
Os prémios Frieze incluem um programa de cursos e palestras sobre arte e a cultura contemporânea, e detém três publicações: As revistas “Friso”, “Frieze Masters Magazine” e “Frieze Week.”

Tempo

Multimédia