Kodak cria acordo com os maiores estúdios


10 de Fevereiro, 2015

Fotografia: Reuters

A empresa Kodak pretende regressar este ano ao mercado da sétima artes, após a falência declarada em 2012, com uma forte aposta no cinema independente e já tem contracto com os estúdios Disney, Fox, Paramount, Sony, NBC Universal e Warner Bros.

A Kodak, que estava mais virada para os telemóveis, tablets e câmaras digitais, não esquece o passado e assumiu o compromisso de não deixar morrer os filmes produzidos em película.
Os pormenores do acordo não foram revelados mas, o “Hollywood Reporter” noticiou que a Kodak conseguiu negociar com os maiores estúdios norte-americanos de cinema “a produção de uma certa quantidade de filmes em película”.
Depois de conversações, que começaram o ano passado, a empresa Kodak conseguiu que os estúdios da Disney, Fox, Paramount, Sony, NBC Universal e Warner Bros, gigantes de Hollywood, comprassem películas durante “alguns anos”.
Até ao momento não se sabe qual a quantidade determinada, nem os valores envolvidos, mas o “Hollywood Reporter” noticiou ter sido negociado “o suficiente para a Kodak, a última empresa em Hollywood a trabalhar com película, estender o negócio por anos”.
O acordo, sublinharam especialistas, marca o regresso da Kodak ao cinema, onde já foi uma das maiores, mas com a passagem para o digital, não resistiu à mudança e sofreu na última década uma queda nas vendas de 96 por cento. No passado, lembrou a “Hollywood Reporter”,  o estúdio Paramount foi notícia ao deixar de usar a película em favor do digital no mercado norte-americano. “O Lobo de Wall Street”, de Martin Scorsese, ficou conhecido como o primeiro título de um grande estúdio a ter um lançamento exclusivamente digital nos Estados Unidos.
Com o negócio agora celebrado com a Kodak, a Paramount dá um passo atrás ao comprometer-se a comprar película.
Mas, adiantam os especialistas, isso não significa, que as empresas não continuam a dar prioridade ao digital, até porque são mais baratos.
Cálculos feitos várias publicações mostram que os custos de impressão e distribuição de um filme em película oscilam entre os 1.100 e os 1.500 euros, enquanto a circulação em digital vai dos 73 aos 110 por cópia.
Andrew Evenski, presidente do departamento de entretenimento e filmes comerciais da Kodak, disse ao “Hollywood Reporter” que a empresa está agora “a trabalhar activamente com os independentes”. “Estamos neste momento a fazer as coisas filme a filme, com a esperança de conseguirmos alguns acordos”, declarou o responsável, que referiu que a Kodak aproveitou aquele que é considerado um dos mais importantes festivais de cinema independente, o Sundance, para lançar a campanha Film Worthy.
O objectivo, acentuou o responsável, é que os realizadores independentes percebam que também podem filmar em película sem gastar fortunas.
Andrew Evenski disse que pretende chegar a acordo também com os vários estúdios de cinema independente para que continuem a ter salas onde as cópias exibidas são em película. Andrew Evenski resume numa frase ao “Hollywood Reporter” o que espera deste negócio: “Quero que as pessoas se entusiasmem outra vez com a película”.

Os fiéis

Apesar da mudança, há ainda muitos realizadores que se tentam manter-se fiéis à película, como J.J. Abrams, que fez o novo filme da série “Guerra das Estrelas” em 35mm, tal como Christopher Nolan usou a película em “Interstellar”.
Os realizadores Quentin Tarantino e Judd Apatow também não perdem a oportunidade de elogiar as vantagens de filmar em película em vez do digital.
Entre os nomeados aos Óscares deste ano há seis filmes freitos ainda no formato película: “Boyhood - Momentos de Uma Vida”, “The Grand Budapest Hotel”, “Interstellar”, “Foxcatcher”, “O Jogo da Imitação” e “Caminhos da Floresta”.
Este ano chega também ao cinema o sétimo episódio da série de ficção “Guerra das Estrelas”, “The Force Awakens”, rodado em película, assim como “Missão Impossível 5”, “O Mundo Jurássico”, “O Homem-Formiga” e “Cinderela”.
“A película foi durante muito tempo e ainda continua a ser uma parte vital da cultura de Hollywood”, escreveu em comunicado de imprensa o director executivo da Kodak, Jeff Clarke.
“Com o actual apoio dos estúdios, continuamos a produzir películas, com a sua incomparável riqueza e textura, para permitir aos realizadores contarem as histórias e demonstrarem arte”, rematou o responsável.

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