Lançada a obra completa do padre António Vieira


6 de Dezembro, 2014

Um projecto intitulado “Vieira Global”, que envolveu a Universidade de Lisboa com várias instituições académicas e culturais de Portugal e do Brasil, tornou possível a apresentação da obra completa do padre António Vieira.

José Eduardo Franco, um dos coordenadores deste trabalho em conjunto com Pedro Calafate, deu conta da sua “alegria por ver cumprido o sonho de levar à sociedade a obra de um dos maiores vultos” da cultura portuguesa e brasileira.
Para o historiador, o padre António Vieira (1608-1697) foi “um génio que viu para além do seu tempo” e “os diagnósticos que fez sobre a sociedade portuguesa” permanecem “válidos hoje”.
José Eduardo Franco deu como exemplo “o Sermão do Bom Ladrão”, em que o sacerdote jesuíta incentiva uma sociedade em crise a “não ficar na inércia, enrolada nos seus problemas, no pessimismo, mas a olhar para a frente e acreditar que é possível que Portugal seja viável”.
Também as considerações que tece à volta das “estruturas de corrupção” e da importância “dos cargos políticos serem ocupados por pessoas de mérito, que realmente servem o povo e o país e não a si próprias”.  O lançamento da obra completa do padre António Vieira, na Aula Magna  da Universidade Clássica de Lisboa, foi o culminar de um esforço de dois anos de pesquisa, recolha, interpretação e autenticação de milhares de documentos provenientes de arquivos e bibliotecas portuguesas e estrangeiras.
Cerca de 15 mil páginas foram reunidas, por uma equipa de paleógrafos, latinistas, linguistas, filósofos, historiadores, teólogos, juristas, cientistas literários, entre outros especialistas, e agora compiladas em 30 volumes.
Antes da sessão de apresentação, Eduardo Lourenço saudou a concretização “em tão pouco tempo” de uma empreitada que já muitos haviam tentado sem sucesso ao longo dos últimos séculos. O ensaísta e escritor, vencedor do Prémio Pessoa em 2011, classificou o padre António Vieira como “o profeta moderno”, alguém que foi capaz de criar “uma obra sem comparação em nenhuma outra cultura, uma História do Futuro”, o que só comprova a sua “audácia e atrevimento”. “Seria bom que nós tivéssemos um comentador como ele, numa supertelevisão para nos dar um panorama tremendo e ao mesmo tempo profundo daquilo que nos está a acontecer, a Portugal, à Europa e ao mundo”, apontou. Presente na como orador esteve o professor Viriato Soromenho-Marques.

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