Lançado conjunto de filmes de José Cardoso


25 de Julho, 2014

Os filmes “Anúncio”, “Raízes” e “Pesadelo”, do cineasta moçambicano José Cardoso, constam de um único DVD lançado, em Maputo, em sua homenagem.

Além dos três primeiros filmes de ficção, o DVD, que ainda não está disponível ao público, inclui uma série de entrevistas e um livro com excertos da publicação inédita do autor “Memórias de uma vida”. Com duração de 60 minutos, segundo o jornal moçambicano “A Verdade”, a obra é um mistério, porque para percebê-la não basta só ver os filmes, mas também pensar, analisar o seu contexto e ligar à realidade dos tempos passados.
Marilú João, crítica da obra, refere que “Anúncio”, “Raízes” e “Pesadelo” levam-nos à acentuação sarcástica e reveladora da condição humana nas sociedades modernas, pois “Cardoso é filho de um Moçambique colonial onde a dignidade humana era medida em função da raça. Uma sociedade que respirava injustiças sociais, contra as quais lutou, ligado aos ideais do socialismo, usando uma arma poderosa - o cinema”.
A resposta satisfatória encontra-se, nas suas abordagens, ligando a história à problemática da sociedade moçambicana.
O cineasta, falecido em Outubro do ano passado, ilustrava nas suas obras a falta de emprego e a consequente exclusão social, uma situação que leva vários jovens ao desespero, optando pelos mais sombrios caminhos, como o das drogas.
“Em ‘Raízes’, Cardoso faz uma analogia entre a criança e o homem na transição para uma sociedade moderna. Quando o adulto bate na criança é o momento da proposta de uma nova organização, moderna, capitalista, que inclui a insegurança pública, a ostentação, as desigualdades sociais, a objectivação da mulher, o vício pelo jogo, pelo tabaco e pelo sexo.”
O filme “Pesadelo”, além de render prémios internacionais ao realizador, “foi apreendido pela PIDE sob a alegação de fazer apologia da luta de guerrilha. Nessa obra, Cardoso fala-nos do medo e da necessidade de enfrentá-lo”, concluiu Marilú João.
 
Museu do Cinema

O filme foi desenvolvido em colaboração com o técnico de som Álvaro Simões e gravado no mais antigo projecto, Kuxa Kanema.
Membros do Fórum de Cinema de Curta Metragem (KUGOMA) em parceria com jornalistas culturais e estudantes de cinema efectuaram, segunda-feira, uma visita guiada ao Instituto Nacional de Audiovisual e Cinema (INAC), com o propósito de transformar, por enquanto, aquele lugar num museu da sétima arte.
A visita incluiu diversos departamentos do edifício, desde os arquivos, o arejamento - onde faziam a reposição das fitas danificadas - a biblioteca, a sala de projecções e até os objectos usados para levar as imagens ao público moçambicano e não só.
O mais antigo e experiente guardião do INAC, Cristiano Castigo Uamusse, guiou o passeio, que se transformou numa série de perguntas e respostas entre os visitantes e o anfitrião, reformado há dois anos, sendo reconhecido como um verdadeiro entendedor de cinema.
Sobre o actual estágio do cinema em Moçambique, Castigo Uamusse disse que, embora com deficiência, a sétima arte evoluiu. Para ele, o problema é que os cineastas não são apoiados pelo Estado e isso lesa e mina a sua criatividade. Castigo Uamusse é o mais antigo funcionário da INAC. Conhece cada área, cada máquina e a sua utilidade.

capa do dia

Get Adobe Flash player




ARTIGOS

MULTIMÉDIA