Legado de Neto para a juventude

Mário Cohen |
13 de Setembro, 2016

Fotografia: Kindala Manuel

Recordar os feitos de Agostinho Neto e ajudar na transmissão do seu legado à nova geração é, para o músico Rui Mingas, um dever de todos, devido à grandiosidade dos seus ideais e à sua importância na construção de uma Nação melhor.

Como um dos músicos homenageados com a Ordem Sagrada Esperança, Rui Mingas agradeceu a distinção e destacou ainda a importância de serem realizados mais actos do género, por serem o reconhecimento da luta pela preservação da identidade dos artistas angolanos.
Além de “homem das letras”, continuou, Agostinho Neto teve uma grande influência na sociedade da sua época, como médico. Por isso, acrescenta, os seus feitos, deveriam ser mais divulgados, por representarem o tipo de altruísmo a ser implementado na construção de uma nova Angola.
O músico, que visitou pela primeira vez o Centro Cultural Agostinho Neto, em Catete, considera ainda fundamental existir um estudo mais profundo sobre a poesia do Herói Nacional, assim como a sua divulgação entre os jovens, em particular através do sistema de ensino.
A escola, reforçou, tem um papel fundamental na preparação da nova geração e a inclusão dos pensamentos e ensinamentos de Neto no sistema de ensino é uma mais-valia. O músico incentivou ainda os jovens a lerem mais. Cantor e compositor, Rui Mingas já foi ministro do Desporto e embaixador de Angola em Portugal. É um dos autores da canção “Meninos do Huambo”, celebrizada pelo músico português Paulo de Carvalho. Oriundo de uma família de influentes músicos angolanos, começou a dar os primeiros passos com o seu tio Liceu Vieira Dias.

Os ideais

A presidente da Fundação Agostinho Neto, Maria Eugénia Neto, disse que os ideais de Neto precisam de ser mais respeitados e divulgados à nova geração, por representarem a materialização do sonho de uma época. “É obrigação de todos continuar com este projecto.”
A atribuição da Ordem Sagrada Esperança serve também para celebrar o 10º aniversário da Fundação António Agostinho Neto, que tem trabalhado, por anos, na preservação da imagem e dos ideias do seu patrono, nos domínios da investigação histórica, através da na edição de dezenas de publicações em livros, DVD e CD, alguns deles traduzidos em francês, inglês, italiano, coreano, mandarim, espanhol e hindi.
Além das distinções, a actividade ficou marcada com a apresentação do documentário “Angola aos meus olhos”, do cineasta holandês Roeland Kerbosh, que foi rodado pelo canal de televisão da Holanda Vara “Achter het Nieuws”. O documentário arrecadou um prémio no Festival Internacional de Filmes e Televisão de Nova Iorque, em 1971.
Outro facto marcante foi o lançamento dos livros “Agostinho Neto - todos para o interior”, de Osvaldo Medina, e “Man-Nguxi vida de glória”, de Samuel Pequeno.
A distinção terminou com a abertura da 6ª edição da “Exposição internacional de gastronomia, cultura e artes”, com a participação de mais de 20 países, com destaque para Moçambique, Brasil, África do Sul, República Democrática do Congo, Itália, China, Mali, Equador, Israel, Cuba, Ghana, Zâmbia e Namíbia.

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