Cultura

Liceu Vieira Dias distinguido em Lisboa

Roque Silva |

Liceu Vieira Dias, figura incontornável da cultura nacional, é homenageado postumamente em Portugal, na exposição “No Ritmo do meu Semba”, da artista plástica angolana Érica Jâmece, inaugurada hoje em Lisboa.

Artista plástica Érica Jâmece expõe pinturas em Lisboa
Fotografia: Paulino Damião | Edições Novembro

A abertura da mostra, que fica patente até ao próximo dia 28 na livraria Ler Devagar, acontece num ambiente de recordações dos feitos e memórias e de reflexões relacionadas com a vida e obra do intelectual Carlos Aniceto Vieira Dias, um dos expoentes máximos da música popular urbana, desde a sua génese.
A exposição tem quatro quadros, produzidos com técnicas mistas, em colagem e acrílico sobre tela, acompanhados de textos de autoria da escritora Isabel Ferreira.
Os quadros “NZambi NZambi Iami Zá Kizua Ki U Tula N’Gana Ibululé (Oh Meu Deus Oh Meu Deus, Vem e Quando Chegares Afasta os Nossos Inimigos”, trecho da canção de Liceu Vieira Dias e “Sodade, Meu Bem, Sodade”, título de música de Bonga, “Bonga - Portos de uma vida” e  “A Menina Carnavalesca Rainha” levam à reflexão os musseques, as danças, a arte de compor e a  forma de celebrizar o semba como património da cultura nacional.
A mostra traz à reflexão do público dois homens apaixonados pela música popular angolana na busca da sua essência e história e da afirmação da sua identidade cultural.
Liceu desafiou o sistema colonial, com a sua forte personalidade, como homem comprometido com a exaltação da  cultura africana, segundo o texto de Isabel Ferreira, para quem Liceu “foi um homem humanista de uma profunda sensibilidade artística, dotado de uma generosidade cultural, que dentre muitas iniciativas culturais e políticas, fundou o Ngola Ritmos, enriquecendo o mosaico cultural angolano”.
A  exposição tem como padrinho Barceló de Carvalho “Bonga”, embaixador da música angolana , cuja presença está confirmada.

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