Língua portuguesa é debatida em Paris


7 de Março, 2015

A Fundação Calouste Gulbenkian Paris realiza no dia 9 e 10, em Paris, um colóquio internacional intitulado “Outras margens-A vitalidade dos espaços de língua portuguesa”, para debater o actual estado da lusofonia e a influência das suas culturas no países-membros.

O colóquio acontece no programa do cinquentenário da fundação, em Paris, e junta investigadores de Portugal, Brasil, Moçambique, Cabo Verde e França, que apresentam mesas-redondas sobre a língua, literatura, história e a arte nos espaços de língua portuguesa.
O objectivo, destaca a organização, é também pensar “como é que o mundo lusófono pode ser um espaço de abertura e de exemplo de trocas culturais”, disse um dos membros do comité científico do colóquio, José Manuel Esteves, titular da cátedra Lindley Cintra na Universidade Paris Ouest-Nanterre.
“Interessava colocar-nos num ponto de vista relativamente inovador, para sairmos das temáticas de sempre da lusofonia, colocar-nos numa espécie de “à margem”, isto é, ver o que é que se trabalha à margem de cada uma destas culturas”, acrescentou José Manuel Esteves, que vai moderar um dos debates em torno da arte. No dia 9, a língua vai estar em destaque, com apresentações de Clarinda de Azevedo Maia, da Universidade de Coimbra, Diana Luz Pessoa de Barros, da Universidade de São Paulo, e Sarita Monjane Henriksen, da Universidade Pedagógica de Maputo, em Moçambique.
As investigadoras falam sobre “O português do Brasil na tradição gramatical portuguesa”, “A construção discursiva do Português como língua nacional no Brasil” e o caso de Moçambique, na “Unidade na diversidade nos espaços de língua portuguesa”.
No mesmo dia, à tarde, é a literatura que vai estar em destaque com a participação da escritora Ana Luísa Amaral, docente da Universidade do Porto, Agripina Carriço Vieira, da Universidade de Lisboa, Sérgio Paulo Rouanet, da Academia Brasileira de Letras, e António Dimas, da Universidade de São Paulo. Em debate estão os temas “Que língua fala a poesia?”, uma análise sobre o escritor angolano Ondjaki, “A correspondência de Machado de Assis” e “O memorialismo brasileiro, como espaço narrativo de criação e de percepção heterogéneas”. No dia seguinte, os trabalhos são orientados para a História, com Miguel Vale de Almeida do Instituto Universitário de Lisboa, Francisco Noa, da Universidade Eduardo Mondlane, de Maputo, Paulo Pinto, da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, e Laura de Mello e Souza, da Université de la Sorbonne-Paris IV.
Entre os assuntos para o debate estão a diáspora, as interacções culturais e identitárias na literatura moçambicana contemporânea, a presença portuguesa no Sudeste Asiático e a questão da fronteira em obras de Sérgio Buarque de Holanda.
O nomadismo dos artistas, os fantasmas da história do cinema português, o sentido da arte como projecto educativo em Cabo Verde e os efeitos da História trágico-marítima sobre três artistas contemporâneos são os temas propostos pelos investigadores.

capa do dia

Get Adobe Flash player




ARTIGOS

MULTIMÉDIA