Cultura

Línguas nacionais preservam tradição

O padre Mário Zezano, em declarações, ontem, à Angop, no Huambo,  afirmou que a preservação da cultura nacional, muito sufocada por modelos importados de outros países, deve estar assente nas línguas nacionais e noutros elementos tradicionais.

Fotografia: DR

O padre falava no decurso de uma palestra sobre a perda de valores culturais na sociedade angolana, facto que,  deve ser encarado com muita preocupação. Admitiu que a língua é o veículo que orienta a cultura, porque organiza o mundo externo e dá credibilidade à tradição. De acordo com o sacerdote do Lubango, a imitação de modelos culturais, essencialmente do ocidente, levou o país a uma quase extinção cultural.
Denunciou que os angolanos ganharam um verdadeiro gosto pela cultura alheia, deixando, por isso, de revitalizar a sua própria herança cultural, para melhor se afirmarem na globalização que vai homologando as culturas tendo como padrão único a cultura ocidental.
O padre não reprova totalmente a recepção de culturas alheias, sendo de opinião que os cidadãos tenham capacidade suficiente para aceitar somente modelos culturais estrangeiros que não ameacem a identidade nacional.
Lembrou que a hospitalidade, confiança, gratidão, amor e solidariedade foram, ao longo da história, valores culturais em destaque em Angola, mas que estão, infelizmente, a desaparecer definitivamente.
“A cultura depende da tradição que é, essencialmente, oral. A tradição é a herança de códigos de condutas, de valores existenciais que os nossos antepassa-dos deixaram e que temos a obrigação moral de transmiti-la, na íntegra, às novas gerações. Sem a tradição, a cultura murcha e acaba por sucumbir. A juventude é fruto de uma cultura onde o mal e a falta de respeito são normais, por preferir aprender com a televisão e não com os mais velhos”, acrescentou o sacerdote.

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