Lino Damião mostra Luanda a Lisboa

Manuel Albano |
9 de Dezembro, 2014

Fotografia: Paulino Damião |

A importância de preservar a memória e os sítios de Luanda é o tema da exposição “Luanda Construção e Desconstrução”, de Lino Damião, que é inaugurada na quinta-feira, em, na Galeria ArtInzo.

A exposição que encerra no dia 31, revela a preocupação do artista com “o desaparecimento intempestivo de muitos edifícios e locais históricos da capital.
“Deixei Luanda há seis anos e sempre que regresso encontro-a diferente, o que me tem feito pensar sobre o futuro da cidade”, disse o artista plástico.
Os bairros e musseques tradicionais, que mais simbolizam um modo de ser e de estar em Luanda, lembrou, dão agora lugar a novos edifícios e esse é um dos temas que a exposição mostra.
“O bairro onde cresci ficou mais pequeno, os pescadores abandonarm a profissão para se dedicarem a outras actividades”, referiu.
Os quadros, prometeu, também fazem reflectir sobre “as sombras” na Mutamba, criadas pelos grandes prédios que substituem as árvores. “Estas construções e desconstruções constroem e desconstroem todas as minhas memórias de Luanda, da Chicala”, disse.
Hoje, confessou, é-me difícil imaginar as pessoas em dois lugares, dentro da velha e nova Luanda.
O artista, referiu, deve ser também um educador social, criando obras que permitam ajudar a construir uma sociedade mais harmoniosa, com base no respeito e amor ao próximo. “Devemos ajudar a sociedade a encontrar caminhos certos para preservar o património colectivo da cidade de Luanda”, salientou.
Em “Luanda construção e desconstrução”, disse, procuro trazer à memória aspectos da Marginal com uma nova imagem, a Ilha do Cabo que está menos popular, o mercado do Kinaxixe que vai ser um centro comercial, a antiga fábrica Congeral no Baleizão, a ser substituída pelo Museu da Ciência e Tecnologia e o desaparecimento do mercado do Roque Santeiro.
Lino Damião encorajado pelo pai, o fotografo do Jornal de Angola Paulino Damião (50), começou muito cedo a desenhar e a pintar. O primeiro prémio foi--lhe atribuído em 1989 pela União Nacional de Artistas Plásticos. Tem participações em várias exposições individuais e colectivas, entre as quais a Feira de Arte Contemporânea de Lisboa, o I Festival Literário “Rota das Letras” de Macau e a I Trienal de Luanda.
As suas diversas obras de arte fazem parte de colecções públicas e privadas em África, Europa, Ásia, América do Sul e EUA. Actualmente trabalha em pintura, serigrafia e fotografia e desde 2010 na decoração dos escritórios Costa Lopes Arquitectos em Luanda, Lisboa, Maputo, Rio de Janeiro e Madrid.

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