Literatura angolana na Faculdade de Letras de Lisboa

Jomo Fortunato | Lisboa
22 de Junho, 2015

Fotografia: DR

A décima nona edição da “Revista textos e pretextos”, número especial inteiramente dedicado a Angola, foi lançada no Jardim D. Pedro V da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, num acto que reuniu escritores angolanos e académicos  portugueses.

“Angola, poesia e prosa” é o tema geral da publicação, organizada pelo Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com o apoio integral da União dos Escritores Angolanos.
Do conteúdo da revista, o destaque vai para a resposta a três questões que foram colocadas a vinte e seis escritores angolanos de gerações diversas, relativamente à identidade na literatura angolana, a forma como os escritores usam a história para pensar e escrever a literatura do presente, e, quais os traços identificadores de uma literatura no feminino.
Sobre as identidades literárias, João Tala, um dos poetas mais importantes da actualidade literária angolana, respondeu o seguinte: “Identidades literárias  nunca têm contornos como se fossem  especificidades em si. Embora se queira realçar a base literária angolana na fenomenologia das expressões, coisas e práticas locais, é preciso  referir as semelhanças que as literaturas africanas, falo sobretudo abaixo do Sahara por minha limitação, têm entre si”. A revista “Textos e pretextos” surge no âmbito das comemorações dos quarenta anos da Independência de Angola, e, concomitantemente, da proclamação da União dos Escritores Angolanos. Este número reveste-se de extrema importância para o meio universitário português, e sua proximação com a literatura angolana. A edição inclui reflexões ensaísticas, abrindo novos caminhos à investigação da literatura angolana, das últimas quatro décadas.

Revista

A revista “Textos e Pretextos” é uma publicação fundada há onze anos, dirigida pela docente portuguesa, Margarida Gil dos Reis, e editada pelo Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Publicação, interartes, é dedicada ao estudo de autores de língua portuguesa contemporâneos, e conta no seu conselho editorial com alguns dos mais prestigiados ensaístas ao nível internacional e, em Portugal, tem-se afirmado como uma das revistas literárias de referência da última década. 
Margarida Gil dos Reis, coordenadora da investigação, é doutorada em Literatura Comparada, Estudos Interartes (2011) pela Universidade de Lisboa. É membro do Centro de Estudos Comparatistas,  desde 2000, e a sua investigação tem-se centrado na Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea e Estudos Interartes, nomeadamente a relação entre literatura e as artes plásticas e visuais. É, desde 2002, Directora da revista literária “Textos e Pretextos”.  “Este volume, diz a coordenadora, não tem a pretensão de ser antológico ou de retratar exaustivamente as últimas quatro décadas da literatura angolana. Os cinquenta escritores e os artistas plásticos que aqui colaboram representam a sua singularidade e a sua expressão individual e mostram-nos, através dos vários olhares, Angola nas suas diferentes dimensões”.

Centro


Conforme podemos ler no seu catálogo de apresentação, o Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de letras da Universidade Nova de Lisboa, foi fundado em 1998, e dedica-se à análise comparada das literaturas, artes e culturas, recorrendo a abordagens multidisciplinares e interculturais. As suas linhas de investigação contemplam a literatura comparada, a literatura-mundo, os estudos pós-coloniais, intermediais, de tradução, de memória, entre outros, não descurando as abordagens filológicas. Questões de interculturalidade, de tradução textual e cultural são tendências transversais a muitos dos seus projectos. A ênfase em questões espaciais na sua articulação com temas de memória e história,  e os processos narrativos e interpretativos a elas associados, são outro traço distintivo do Centro, a unir os diferentes projectos, não obstante a variedade de abordagens e metodologias por eles adoptados.

União

A União dos Escritores Angolanos, para além de co-organizadora, esteve representada no acto de lançamento pelo seu Secretário Geral, o escritor Carmo Neto, que afirmou, na ocasião, o seguinte: “A Direcção da União dos Escritores Angolanos centrou a carga da bateria do seu telemóvel numa estratégia de edição, divulgação, promoção local e internacional da literatura angolana e de vários títulos literários. Esse conjunto de obrigações vai de encontro a valores definidos pelo Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa”.

Temas

Os escritores Adriano Botelho de Vasconcelos, Álvaro Macieira, Abreu Paxe, Amélia Dalomba, Ana de Santana, António Fonseca, António Gonçalves, António Francisco Panguila, António Pompílio, Carlos Ferreira, Chó do Guri, Cristóvão Neto,  Fragata de Morais, Gociante patissa, Isabel Ferreira, Jacques Arlindo dos Santos, João Melo, João Tala, Jorge Arrimar,  Lopito Feijó, Luís Fernando, Manuel dos Santos Lima, Maria Celestina Fernandes, Paula Tavares, Ras Nguimba Angola, e Trajano Nankhova Trajano, deram o seu testemunho sobre o tema  “Identidade e Literatura”.
A edição conta com ensaios de Laura Cavalcante Padilha, Manuel Muanza, Francisco Soares e Pires Laranjeira. No domínio da ensaística, o nosso destaque vai para um importante texto do Professor, Pires Laranjeira, do Centro de Literatura Portuguesa, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, com o título, “João-Maria Vilanova, e o desejo de (não) ser-ou João de Freitas, intelectual Binacional”. A revista inclui ainda notas editoriais de Margarida Gil dos Reis, Inocência Mata e Luís Kandjimbo, entrevistas a Luandino Vieira, concedida à jornalista Alexandra Lucas Coelho, Manuel Rui, Pepetela, José Luís Mendonça, Ondjaki e Carmo Neto, com trabalhos de ilustração dos artistas plásticos: António Ole, Délio Jasse, Francisco Vidal, Manuel Correia, Nelo Teixeira, Pedro Loureiro, Rita GT, e Rui Sérgio Afonso.

capa do dia

Get Adobe Flash player




ARTIGOS

MULTIMÉDIA