Cultura

Literatura para crianças carece de mais autores

Roque Silva

Entre os autores de livros infantis, são poucos os que usam o rigor exigido na escrita para as crianças, disse Zulini Bumba, por ocasião do Dia Mundial da Literatura Infantil, assinalado ontem.

Textos para crianças devem merecer grande rigor devido à curiosidade dos mais novos
Fotografia: Edições Novembro

A escritora de livros infantis, vencedora do Prémio Literário Jardim do Livro Infantil 2012, critica a nova vaga de escritores que publicam trabalhos pouco educativos, com uma linguagem desajustada.
As ilustrações facilitam a compreensão dos textos, particularmente para crianças, embora alguns textos pequem pela falta de rigor gramatical, pois, de acordo com a autora, “infelizmente” é visível em algumas obras em que os autores não  respeitam as normas elementares da gramática. Por isso, a escritora propõe aos jovens escritores que apresentem os seus textos para revisão e apreciação de críticos literários e escritores com mais experiência antes de os publicarem. Recomendou aos encarregados de educação que adquiram livros de Dario de Melo, Maria Eugénia Neto, Cremilda de Lima, Maria Celestina Fernandes, John Bella, Kanguimbo Ananaz e Marta Santos, para oferecer aos seus filhos, devido ao conteúdo pedagógico.
“Escrever para crianças é um exercício que requer concentração, devido à curiosidade delas”, afirmou Zulini Bumba. A quantidade de autores de literatura infantil é ainda insuficiente, tendo em conta o número de crianças em idade escolar.
A escritora tem um livro não retida numa gráfica por falta de dinheiro, além de outras cinco histórias que aguardam por patrocínios para o pagamento da revisão, ilustração, paginação e edição.Zulini Bumba tem seis livros publicados, cinco dos quais pelo Ministério da Cultura, por ter conquistado prémios, entre os quais “O aniversário do Rei Leão” e “Despique na Natureza”. “Fazer um livro para crianças é caro”, disse ao justificar os altos preços de venda ao público, que resultam dos elevados custos de produção.

Educação Ambiental
Quatro dos seis livros da escritora abordam a educação ambiental, com os títulos “A roda da amizade”, “O menino Kulomba e os dois lenhadores”, “O menino Zola e as flores e Despique na Natureza”, publicado há duas semanas.
A escritora é defensora da gestão dos resíduos sólidos e da preservação do meio ambiente. Por isso, nos seus livros apela aos encarregados de educação e às crianças para a mudança de consciência, em defesa dos ecossistemas.
A luta pela defesa do meio ambiente permitiu internacionalizar a carreira de Zulini Bumba. No ano passado, participou no IV Congresso Internacional de Educação Ambiental dos países da CPLP em São Tomé e Príncipe, na qualidade de escritora de educação ambiental. Actualmente, é aguardada por organizações em Portugal e Brasil para apresentar os seus livros e trocar experiências no domínio da preservação do meio ambiente.
Essa temática está directamente associada à qualidade de vida das pessoas. Por isso, são realizadas cimeiras mundiais, como Rio+20, que reúnem periodicamente líderes de vários países.
O livro “O aniversário do Rei Leão” aborda questões ligadas às hierarquias e aos complexos e a história de Kambinda retrata um rapaz estudioso e obediente que influencia os amigos a aplicarem-se no estudo.
Zulini Bumba participou com a história Um sorriso, uma criança, na antologia internacional de contos “O natal da família da menina Wayane”, na qual assinaram outros textos das escritoras Maria Eugénia Neto e Maria Celestina Fernandes.
Membro da Brigada Jovem de Literatura de Angola, durante mais de 15 anos, a escritora considera que o Dia Mundial da Literatura Infantil serve de reflexão para a sociedade e propõe que o Ministério da Cultura deve rever as políticas inerentes ao livro.

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