Livro retrata vivências de Angola

Kátia Ramos |
22 de Julho, 2016

Fotografia: Paulino Damião |

“Luanda fica longe e outras estórias austrais” é o título da antologia de 18 estórias do escritor José Luís Mendonça, lançada quarta-feira na União dos Escritores Angolanos, com a chancela da Editorial Texto Editores.

A antologia, lançada durante a habitual Maka à Quarta-feira, organizada pela União dos Escritores Angolanos (UEA), que abordou o tema “O dilema do jovem escritor”, reúne 33 anos de recriação literária, estórias datadas de 1982 a 2015, enquadradas em três grandes períodos que retratam a era colonial, a Independência Nacional, estórias tradicionais e fábulas com recurso ao realismo mágico. Todas elas têm como base a realidade social e cultural de Angola.
José Luís Mendonça explicou que as estórias retratam problemas sociais como a morte por malária e os decorrentes da perda dos valores morais e cívicos. “Estas são as minhas fontes de inspiração. Carrego na alma as dores de toda a humanidade”, disse o escritor, acrescentando que mil exemplares estão disponíveis para o público leitor, ao valor de três mil kwanzas cada.
Alunos do escritor e professor universitário leram pequenos trechos do livro como “A coragem da mamã dengosa”, “O drama e Sanguito do Prenda” e “As tristezas de Kinvula ao ver sua Zita baleada no meio da sala.”
De forma unânime, estudantes e leitores que tomaram contacto com o livro afirmaram que “Kianda off shore” é daquelas estórias que merecem destaque no livro em referência, pela sua beleza textual, dando prazer à leitura que vivencia o drama de Júlio Famorosa, que sofria de bullyng por causa da sua deficiência física que o impede de fazer coisas que gosta.
Júlio, o personagem de “Kianda off shore”, perdeu-se no alcoolismo e viu a sua vida dar uma volta de 360 graus, quando, sentado num barco vendo o tempo passar, caiu no sono profundo onde passou momentos inesquecíveis com a kianda que o levou na solidão do alto mar. Durante a palestra subordinada ao tema “O dilema do jovem escritor”, José Luís Mendonça apelou aos jovens para mostrarem maior interesse pela literatura nacional de forma a enaltecer os feitos dos autores de referência no país. O escritor defende que quem pretende  seguir o campo literário deve-se dedicar  de forma paciente aos estudos.
José Luís Mendonça fica muito preocupado quando jovens que pretendem seguir literatura  o vêm contactar sem nunca terem lido alguma obra  de escritores angolanos, como  António Agostinho Neto e Pepetela.
O escritor apontou  o domínio da língua portuguesa, a competência intelectual  e a cultura geral  como  bases indispensáveis  para  seguirem  o “mundo das letras”. “Para  os que pretendem serem escritores, aconselho a leitura, a escrita  e  consequentemente   o  conhecimento  da primeira  geração  dos  escritores angolanos”, disse, ressaltando a importância de os  jovens   aceitarem  a crítica, pois  sem  ela  vai ser  muito  difícil   concretizarem o  desejo de tornarem-se  bons escritores.

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