"A Noção de Ser" na praça literária

Victória Quintas| Huambo
1 de Outubro, 2014

Fotografia: Victória Quintas| Huambo

A colectânea literária “A Noção de Ser”, composta por textos sobre a poesia de Agostinho Neto, foi lançada na segunda-feira na cidade do Huambo, numa cerimónia promovida pela Universidade José Eduardo dos Santos, em parceria com a Fundação Agostinho Neto.

O livro, apresentado pela professora de literatura e linguística do Instituto Superior de Ciências de Educação do Lubango, Solange Luís, foi organizado pelos escritores Pires Laranjeira e Ana Rocha.
Na ocasião, Solange Luís disse que a obra pretende ser um estímulo a um regresso renovado à poesia de Neto, de modo a impulsionar novas leituras dos jovens estudantes angolanos, que com os pés assentes numa Angola livre vão poder reler Neto e tecer novas interpretações. A colectânea está dividida em cinco capítulos, cujos títulos são expressões retiradas de poemas de Neto.
O primeiro capítulo intitula-se “Caminho das estrelas” e inclui textos que abordam o contexto social, histórico e político da criação poética do Poeta Maior, assim como textos que abordam aspectos relacionados com a formação e a estética política da sua poesia.
O segundo, “Na pele do tambor”, contém ensaios cujo objecto de estudo é a estética e a análise do discurso poético netiano, enquanto o terceiro, “As adivinhações maravilhosas”, apresenta textos que estabelecem comparações e analisam a intertextualidade entre a poesia netiana e outras correntes poéticas, outros poetas e algumas influências culturais e religiosas. 
A “Seta veloz”, que apresenta ensaios sobre a recepção da obra de Neto no mundo, e “O amanhecer vital”, que se traduz nos primeiros ensaios produzidos sobre a poesia de Neto, são os outros dois capítulos.
A representante da Fundação António Agostinho Neto, Gália Martins, considerou que este trabalho vai ajudar as instituições de ensino a trabalhar com a obra poética de Neto, que reúne vários textos e ensaios de especialistas na matéria ao longo de algumas décadas.
“Queremos promover este trabalho de divulgação e análise da obra poética do nosso Poeta Maior, para padronizar a sua obra e servir de referência no panorama das belas artes angolanas”, disse.
Gália Martins anunciou que a Fundação António Agostinho Neto instituiu o Prémio Internacional de Investigação Histórica de Agostinho Neto, em parceria com as Faculdade Zumbi dos Palmares, de São Paulo, Brasil. “Gostávamos de convidar os interessados a inteirarem-se dos regulamentos e a concorrer”, disse.
Cristóvão Simões, reitor da Universidade José Eduardo dos Santos, disse que falar de Agostinho Neto e da sua extensa bibliografia é uma tarefa difícil, porquanto os relatos, discursos e exaltações sobre esta matéria vão, na sua maioria, ser feitos por defeito, tendo em conta a importância e abrangência das acções a ele atribuídas, assim como dos programas realizados durante a sua carreira de homem, político e estadista até 1979, ano em que faleceu.
Cristóvão Simões lembrou que Agostinho Neto dirigiu as actividades políticas e de guerrilha do MPLA durante a guerra pela independência de Angola, entre 1961 e 1974, e durante o processo de descolonização.

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