Afirmação internacional da literatura angolana

Jomo Fortunato| Portugal
18 de Maio, 2015

Fotografia: Cedida pelo Escritor

Do lirismo poético à ficção narrativa, passando pela literatura infanto-juvenil, Roderick Nehone tem sido um escritor prolífero, claramente preocupado em transfigurar, para o universo de criação literária, as implicações sociológicas dos conflitos, que decorrem das relações pessoais e suas visões conceptuais do mundo, incluindo as transformações mais recentes da história política angolana.


A apresentação do romance “Filho querido”, pelo Professor de Literatura da Universidade Independente de Angola e crítico literário, Francisco Soares, sessão de autógrafos, e o diálogo do escritor com jornalistas, professores, e estudantes, decorreram no Anfiteatro IV da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, no dia 14 de Maio, quinta-feira, uma realização conjunta entre a União dos Escritores Angolanos, representada pelo seu Secretário-geral, Carmo Neto, o Programa de Português Língua Estrangeira, e o Centro de Estudos Comparatistas, da referida instituição universitária.
Escrito em 2000, a propósito de um curso criado para a formação de guionistas, em que participaram, entre outros, os escritores, Pepetela e Manuel Rui, visando a criação de guiões para telenovelas da Televisão Pública de Angola, “Filho querido” é o novo título do romance, ora apresentado, que já se chamou, “Tempos sem véu”, obra publicada em 2003, pela editora Nzila.
Roderick Nehone, uma das referências mais importantes da literatura angolana contemporânea, é um escritor que, para além do lirismo da sua poesia, e do carácter pedagógico dos seus recentes títulos infanto-juvenis, vem exprimindo, através da literatura, a pulsação social e seus conflitos.
O escritor tem afirmado, de forma reiterada, que possui a sua visão dos fenómenos sociais, contudo respeita a interpretação dos outros, muitas vezes em relação a um mesmo fenómeno: “ Passo para a literatura a minha visão dos fenómenos, contudo respeito a opinião dos outros.
Neste livro, e numa linha de continuidade com outros títulos anteriores, preocupam-me questões como: infertilidade, inseminação artificial, emancipação da mulher, efeitos nefastos do racismo, crença no feitiço, estratificação social, e o impacto que a guerra provocou na sociedade angolana.
 Por estas e outras rezões, sinto-me na obrigação de ser um testemunho da minha época, em relação a Angola e ao mundo”, afirmou Roderick Nehone. Por sua vez, Carmo Neto enalteceu o contributo e cooperação da  Direcção da Faculdade de Letras na concretização dos projectos de cooperação, tendo lembrado que: “A União dos Escritores Angolanos representa os seus membros, com a intenção de promover a defesa da cultura angolana como património da Nação, estimular os trabalhos tendentes a aprofundar o estudo das tradições culturais do Povo Angolano, e incrementar as relações culturais com todos os Povos do mundo”.
Filho de Frederico da Silva Cardoso e de Augusta Porfírio dos Santos Cardoso, Roderick Nehone, pseudónimo literário de Frederico Manuel dos Santos e Silva Cardoso, nasceu em Luanda no dia  26 de Março de 1965.Concluiu os estudos primários e secundários, em Luanda.  Começou a escrever em 1982, numa altura em que era bolseiro, em Cuba, tendo participado num concurso de literatura organizado pelos professores de língua portuguesa,e, desde então, nunca mais deixou de escrever.
Em 1989 concluiu a licenciatura em Direito pela Universidade Central de Las Villas, ainda em Cuba, tendo sido docente da Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto, de 1991 a 2004. Exerceu vários cargos entre os quais Assessor Jurídico do Secretariado de Conselho de Ministros, Vice-Ministro da Educação para a Área da Cultura, sendo neste momento Secretário do Conselho de Ministros da República de Angola.

Depoimento


O professor universitário e crítico literário, Francisco Soares, escreveu a propósito da poesia de Roderick Nehone, referindo-se ao livro, “Peugadas de Musa”: “A originalidade deste livro consiste em mostrar que não é o exercício formal que limita ou prejudica a dicção poética, nem o recurso a tradições endógenas ou exógenas. É a particular maneira pela qual as componentes do poema se relacionam entre si e com as expectativas dos leitores.
O que se pode esperar do desenvolvimento desta proposta é o aprofundamento da liberdade do poeta, a síntese entre a habilidade e a imaginação, bem como a personalizada mistura de ingredientes exóticos em relação às tradições dos restantes recursos usados, ou seja, uma poética híbrida. O perigo por ela representado corresponde à dificuldade da tarefa, que exige uma atenção superior para, remexendo nas cinzas, acordar nelas o fogo original. O ganho é imprevisível…”
 
Livros

Membro da União dos Escritores Angolanos, Roderick Nehone publicou, respeitando uma evolução gradativa crescente, em relação à quantidade e complexidade da matéria textual, “Génese” (poesia, INALD 1996), “Estórias dispersas da vida de um Reino” (contos, União dos Escritores Angolanos, 1996), Prémio Sonangol de literatura, “O ano do cão” (Romance, Nzila, 1999), Prémio Sonangol de Literatura, “Peugadas de musa” (poesia, 2001), “Tempos sem véu” (romance, Nzila, 2003).Em 2008 lançou “Uma bóia na tormenta” (contos), “Catador de bufunfa” (novela, 2012), “Kid kamba recupera o quadro roubado” (infanto-juvenil, 2003), “Kid Kamba liberta a Kianda e salva Luanda” (infanto-juvenil, 2003), “Kid kamba na TV, (infanto-juvenil, 2014), e “Kid Kamba no dia em que Luanda ficou sem petróleo” (infanto-juvenil, 2014), e “Filho querido” (União dos Escritores Angolanos, Textos Editores, 2015).

Sinopse

"Filho querido " narra que “depois de cerca de dois anos de casados, Cati e Fernando não conseguem ter um filho. Uma consulta médica confirma as suas preocupações.
Empresário bem-sucedido nos seus negócios, Fernando conhece uma bela e sedutora tradutora. Sandra é esposa de Jorge, um mecânico de automóveis que, por causa da sua impetuosa paixão pela velocidade, sofre um brutal acidente, com dramáticos resultados.
Após decidir encontrar uma solução para o seu problema, Cati recebe três visitantes. Curiosamente, Fernando não é estranho a uma delas e percebe como a opção feita pela mulher pode resultar num novo problema. Durante algum tempo, tudo parece correr às mil maravilhas.
Porém quando se aproxima o momento por todos querido, algo inesperado acontece”.
Daí o livro aborda questões como: infertilidade, relações extra-conjugais, inseminação artificial, e crença no feitiço. São “vários destinos, muitos caminhos, um desenlace, um filho que nasce”.

capa do dia

Get Adobe Flash player




ARTIGOS

MULTIMÉDIA