As ''Vidas de Areia'' de Divaldo Martins

César Esteves |
6 de Maio, 2016

Fotografia: José Cola

“Vidas de Areia” é o título do novo livro de Divaldo Martins, a ser apresentado a próxima quinta-feira, dia 12, às 18 horas, no Palácio de Ferro, em Luanda.

O romance descreve, em 432 páginas, o quotidiano da capital, a partir de dois pontos de vista, o urbano e o suburbano.  Para ilustrar as duas realidades, o autor escolheu os bairros do Sambizanga e do Miramar para mostrar dois ângulos opostos da sociedade luandense.
Divaldo Martins pretende mostrar, com a comparação, como duas realidades que estão bem próximas uma da outra, em termos geográficos, são ao mesmo tempo tão diferentes.
“A estrada que liga o Sambizanga ao Miramar é a Rua das FAPLAS. É apenas uma rua, que pode ser percorrida em uma hora. Porém, a vida nestes dois bairros é completamente diferente. As pessoas estão muito separadas. Os moradores do Miramar não conhecem na, essência, os do Sambizanga, e vice-versa, mas pertencem ao mesmo município”, disse.
“O desconhecido faz criar mau juízo, em particular entre as pessoas”, acrescentou o autor.  
Para introduzir essas diferenças no livro, o autor frequentou várias vezes os dois bairros. “Nunca vivi no Miramar, nem no Sambizanga. Eu tive que ir várias vezes a esses bairros, para ver e sentir de perto o ambiente. Só assim consegui escrever uma história realista, na qual os moradores se podem rever”, explicou. Neste livro, Divaldo Martins construiu uma história a partir do nada. “Geralmente escrevo histórias onde consigo visualizar-me. Desta vez procurei outro ponto de vista”, afirmou.
“Vidas de Areia”, disse o autor, resultou da tentativa de rescrita de outro livro, “Teia”, que teve de interromper. “Na altura, queria falar sobre um tema muito sensível, o HIV/Sida, numa história baseada nas relações inter-pessoais, que acredito serem a dinâmica da própria transmissão desta doença. Quando o li, vi que este estava mais focado para esta questão, então decidi escrever outro.”
O romance é, também, uma homenagem às mães angolanas, que durante anos praticaram a venda ambulante no percurso do musseque até à Baixa de Luanda, para darem uma vida melhor aos filhos e apesar da guerra nunca desistiram dos seus sonhos. Com a chancela da Texto Editores, o livro é apresentado por Isilda Hurst.
O escritor Divaldo Martins nasceu em Luanda, em 1977. Em 1995, concluiu o curso médio de jornalismo e trabalhou na Agência Angola Press até 1998.
Em 2003, concluiu uma Licenciatura em Ciências Policiais, pelo Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna de Lisboa, e em 2013 obteve uma Licenciatura em Direito, pela Universidade Agostinho Neto. Em 2015 obteve o grau de mestre em Comunicação - Assessoria de Imagem e Comunicação Política na Universidade Caminho José Cela, em Espanha, e frequentou o curso superior de Letras Modernas, na especialidade de Português, no Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED), de Luanda.

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