China exporta literatura


21 de Outubro, 2014

A China, o segundo maior mercado livreiro do mundo depois dos Estados Unidos, habitual consumidora de obras estrangeiras, está a iniciar um esforço para exportar a sua literatura para o resto do mundo, auxiliada pela revolução do livro digital.

Membros do sector presentes na Feira do Livro de Frankfurt disseram ter observado uma mudança nos expositores chineses, que antes adquiriam direitos de publicação e agora vendem os produtos do florescente sector editorial chinês.
Com um volume de vendas de quase 18 mil milhões de dólares, a China é a maior compradora de direitos e licenças de publicação de livros publicados no estrangeiro.
Agora, as editoras chinesas, a maioria delas estatais, estão a embarcar na política “Vá para fora”, instituída em 1999 para divulgar o investimento chinês fora do país.
Pequim está a incentivar as editoras a desenvolverem conteúdos digitais, para criar empresas mais competitivas e prepará-las para a inclusão no mercado de acções. O Governo exortou os bancos a fazerem empréstimos e pressionou acordos com operadoras de serviços móveis, como a China Mobile 0941.HK, para impulsionar a digitalização das publicações.
“Embora haja, há já algum tempo, uma procura de editoras internacionais para licenciar obras para a China, também existe um grande ímpeto em andamento para licenciar títulos na direcção contrária”, declarou Tom Chalmers, director-geral da IPR License, um mercado digital para direitos de livros. “A China está cheia de títulos disponíveis, com apelo internacional, e muitas editoras chinesas mencionaram a venda a editoras internacionais como a sua prioridade.”
Graças a uma classe média em rápido crescimento, que gasta muito na educação dos filhos, as editoras da China desenvolveram uma vasta gama de materiais de estudo, que se sentem prontas para vender ao mundo.
Em Frankfurt, o maior evento anual do sector, cerca de 40 empresas do ramo expuseram os seus produtos nos stands do Grupo Editorial da China (CPG), incluindo livros ilustrados bilingues com fábulas chinesas clássicas e concebidos para as crianças aprenderem mandarim ou inglês.
A viagem de quase oito mil quilómetros de Pequim a Frankfurt valeu a pena, afirmou o CPG. Em geral, as editoras chinesas alugaram mais16 por cento de espaço do que no ano passado, informou a feira.
Enquanto o sector teve crescimento nulo em grandes mercados, como Estados Unidos, Grã-Bretanha e Alemanha em 2013, o mercado chinês cresceu nove por cento, de acordo com dados recolhidos pelo consultor austríaco Ruediger Wischenbart.

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