Clássicos da literatura chegam a todo o país

Roque Silva |
1 de Março, 2016

Fotografia: Dombele Bernardo

O coordenador do Programa de Fomento do Livro e da Leitura, Divaldo Martins, disse ontem, ao Jornal de Angola, que o projecto vai divulgar em Maio os títulos e autores nacionais para a próxima edição dos Clássicos da Literatura Angolana.

Neste momento, adiantou, está em curso a selecção dos 11 títulos que vão fazer parte da quarta colecção de clássicos, quer para adultos quer para crianças. Referiu que o processo de selecção obedece a padrões estabelecidos por um grupo de especialistas.
Após a selecção terminar, a organização define a estratégia de distribuição dos livros em todas as províncias. Divaldo Martins informou que as colecções dos clássicos foram distribuídos em 14 das 18 províncias, e podem ser adquiridas nas mediatecas, nas livrarias Texto Editores e nos supermercados Kero, ao preço de 500 kwanzas.
Satisfeito com a divulgação das obras literárias, Divaldo Martins reconheceu que, actualmente, o livro como produto começa a ganhar novos valores por parte dos leitores, o que exige que sejam criados mecanismos de distribuição e circulação cada vez mais eficazes.
Embora a Internet se tenha imposto como grande plataforma de aquisição de conhecimento, o responsável admitiu que o valor do livro vai permanecer nas sociedades, razão pela qual o Programa de Fomento do Livro e da Leitura tem abrangência nacional.
“Temos, certamente, mais crianças a partilharem livros, a partilharem histórias para falarem sobre as suas experiências nesse contacto com a literatura”.
Divaldo Martins disse que o objectivo é contribuir para a recuperação dos valores da identidade nacional através do contacto com a cultura, imortalizar as histórias que marcaram a literatura angolana e fazer com que as novas gerações mantenham contacto com as obras nacionais de referência.
Desde o lançamento do Programa, já foram publicadas as seguintes obras “Baixa & Musseques”, de António Cardoso, “O Canto do Matrimónio”, de Ernesto Lara Filho, “Ondula, Savana Branca”, de Ruy Duarte de Carvalho, “Poemas”, de Alexandre Dáskalos, “Undengue”, de Jacinto de Lemos, “Chuva Novembrina”, de José Luís Mendonça, “Terra Morta”, de Castro Soromenho, “Ritos de Passagem”, Ana Paula Tavares, “O Feitiço da Rama de Abóbora”, de Cikakata Mbalundo, “Subscrito a Giz”, de David Mestre, e “Nzinga Mbandi”, de Manuel Pedro Pacavira.

Clássicos infantis

Divaldo Martins considerou “um êxito do projecto” incluir clássicos infantis, porque marcaram a literatura angolana em determinadas épocas e pelo facto de algumas obras estarem esgotadas no mercado, tendo parte dos seus autores falecidos.
Os clássicos infantis surgem como resposta à pouca produção de literatura voltada para as crianças por forma a tornar mais fácil o acesso ao livro pelos encarregados de edução e pelos próprios estudantes.
Divaldo Martins considerou o mercado literário infantil dinâmico tendo em conta que actualmente se vendem mais livros para crianças do que para adultos. O responsável acrescentou que, por vezes, “podemos estar em presença de um fenómeno de inversão, segundo o qual, em vez de serem os pais a incentivarem os filhos a ler, temos os filhos a incentivar os pais”.
A primeira colecção infantil, designada “11 Clássicos Infantis” reuniu as obras “Fábulas de Sanji”, de António Jacinto, “E na floresta os Bichos Falaram”, de Maria Eugénia Neto, “Kibala, o Rei Leão”, de Gabriela Antunes, “As Sete Vidas de um Gato”, de Dario de Melo, “A Velha Sanga”, de Cremilda de Lima, “O Círculo de Giz de Bombo”, de Henrique Guerra, “A Árvore dos Gingongos”, Maria Celestina Fernandes, “O País das Mil Cores”, de Octaviano Correia, “Lutchila”, de Rosalina Pombal, “Duas Histórias”, de Zaida Dáskalos e “A Viagem das Folhas de Caderno”, de Maria João Chipalavela.

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