Cultura aposta na identidade nacional e no resgate

Mário Cohen | Augusto Baptista | Luena e Estácio Camassete | Huambo
26 de Junho, 2015

Fotografia: Mota Ambrósio

O resgate e a valorização da identidade nacional e a sua importância para uma melhor socialização das crianças é um dos pontos fortes do Jardim do Livro Infantil, aberto oficialmente ontem às 11h00, em Luanda, pela ministra da Cultura.

Rosa Cruz e Silva disse que o livro infantil tem a missão de consolidar e elevar os princípios que regem a identidade nacional, através de trabalhos literários com temáticas sobre a importância da valorização da terra, da História e da Cultura angolana.
A ministra destacou ainda que a aposta no resgate destes valores é fundamental para o desenvolvimento psico-pedagógico da personalidade da criança angolana. Rosa Cruz e Silva acrescentou ainda que tendo em conta este objectivo, o Jardim foi reestruturado, de forma a ser mais amplo e sair das capitais provinciais para os municípios e comunas.
“Actualmente existem manifestações desviantes praticadas por alguns agentes sociais, que têm afectado negativamente o comportamento dos jovens e das crianças e exigem respostas adequadas da Cultura e de todos, de forma a minorar o quadro negativo que tais influências podem causar nestas camadas da sociedade”, disse.
Esforços estão a ser desenvolvidos e medidas adoptadas, dentro das estabelecidas por lei, para contrapor tais condutas negativas, prejudiciais à integração sã e plena das crianças.
O livro é um instrumento fundamental no processo de socialização da criança, por ajudar na sua integração e contribuição para a prática de uma cidadania responsável.
Este ano, o Ministério realiza a nona edição do Jardim do Livro Infantil, até domingo, também com o intuito de recordar os ganhos da Independência, além de procurar, em várias actividades agendadas, dignificar e enaltecer a literatura infantil angolana e os seus autores. O Jardim do Livro Infantil deste ano pretende dar uma maior divulgação aos autores angolanos, que ao longo dos anos ajudaram a dar outro alento à literatura feita para as crianças. “O Ministério pretende fazer chegar mais os livros às crianças, por oferta ou venda, mas a preços bonificados, assim como seleccionar, de acordo com a qualidade, os autores novos que se têm destacado”, disse Rosa Cruz e Silva.
Realizado sob o lema “Pelo resgate dos valores morais e culturais, divulguemos a literatura infantil”, o projecto tem agendado para hoje, às 10h00, a apresentação do livro “O Menino Zola e as Flores”, de Zulini Bumba, às 10h30, uma palestra sobre “Resgate dos Valores Morais e Cívicos”, a ser proferida por Elisa Gourgel, do Instituto Nacional da Criança, e uma oficina de artes com técnicos das Escolas de Artes Plásticas, Dança, Música e Teatro, a partir das 11h30.
No período da tarde está prevista, às 15h00, a realização de mais uma edição do projecto “Tenda das Letras”, com a apresentação dos livros “O Gelado de Múcua da Mamita”, de Domingas Monte, e “O Sabonete Teimoso”, de Cremilda de Lima. As actividades, que ainda incluem a exibição de filmes, sessão de contos, provérbios e uma palestra sob a “Educação Sanitária”, são realizadas até às 20h00, na Praça da Independência, em Luanda.

Mais livros


O combate à crescente aculturação entre as crianças, causada pelo aumento da influência da globalização, passa, para o governador de Luanda, pelo aumento de livros infantis no mercado nacional.
Graciano Domingos, que participou na cerimónia de abertura do Jardim do Livro, considerou a leitura um dos maiores aliados na educação das crianças, assim como uma ferramenta chave para informar o cidadão. Alguns programas de entretenimento internacionais têm tido uma influência negativa no comportamento das crianças e jovens, que sem o devido acompanhamento dos pais e encarregados de educação, os tem levado a ignorar e subestimar os princípios típicos da cultura angolana, disse.
“É essencial criar novas e mais propostas que ajudem a resgatar a identidade e a angolanidade entre as crianças e os livros desempenham um papel preponderante neste processo, porque ajudam a aproximar e explicar a elas a importância destes valores”, rematou.
Ontem, a actividade foi marcada pela entrega do prémio literário Jardim do Livro Infantil e lançamento de “Era Uma Vez na Torre do Tomate”, o trabalho vencedor, de Valdemar Sakwessa, e “As Aventuras de Ngunga”, de Pepetela.
A nona edição do projecto Jardim do Livro em Luanda é realizada, em simultâneo, das 9h00 às 20h00, no Marco Histórico do Cazenga, no Largo da Lagoa, na Centralidade do Kilamba, no Jardim Municipal de Viana e no Atrium do Nova Vida. Na Praça da Independência estão 28 stands de editoras e livrarias nacionais.

Tradição no Moxico

Os livros de contos e outros que enaltecem a riqueza da tradição oral angolana estão expostos desde ontem, no Largo do Monumento à Paz, no Luena, Moxico, na nona edição do Jardim do Livro Infantil, onde foram reunidos mais de seis mil livros para crianças, na sua maioria da autoria de escritores angolanos.
O director da Cultura no Moxico informou que além do Largo do Monumento à Paz, onde foi feita a abertura oficial, os livros também são expostos na Casa da Cultura, um  lugar estratégico por estar mais próximo das zonas urbanas. O preço dos livros expostos varia entre os cem e os mil kwanzas.
Noé Manuel considerou ainda o Jardim do Livro Infantil um espaço privilegiado para incentivar o hábito e o gosto pela leitura, assim como mais-valia no aperfeiçoamento da aprendizagem das crianças.

Preparar o futuro

O vice-governador do Huambo para o Sector Político disse, na abertura do Jardim, que os livros expostos ajudam a valorizar a história e a cultura angolana, assim como os seus autores, através de experiências que ajudam a preparar as crianças para o futuro.
Guilherme Tuluka incentivou as crianças a lerem mais e os pais a incentivá-las, de forma a melhor prepararem o seu futuro e servir o país. “É também um local para criar maior interacção entre os livros e as crianças, ou estimular o surgimento de novos autores”, disse.
O Jardim do Livro Infantil, que se realiza no Jardim da Cultura na cidade do Huambo, decorre em simultâneo no município do Bailundo, onde estão expostos  2.500 livros. Diversas actividades estão agendadas em torno da Feira, com destaque para a exibição de filmes infantis, espectáculos de teatro e leitura de contos.

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