Cultura

Cultura quer reforçar os hábitos de leitura

Francisco Curihingana | Malanje

Mais espaços de promoção e incentivo ao hábito de leitura, para estimular o surgimento de novos actores e obras, em especial no domínio da literatura infantil, é uma das fortes apostas do Ministério da Cultura para os próximos tempos.

Iniciativa visa estimular o surgimento de novos criadores de obras literárias no país
Fotografia: Edições Novembro

O objectivo foi apresentado, quinta-feira, em Malanje, pelo secretário de Estado da Cultura para a Indústria e Economia, durante a cerimónia oficial de abertura de mais uma edição do projecto Jardim do Livro Infantil, realizada na Biblioteca Provincial de Malanje.
Para João Constantino, o livro infantil incentiva a autoconstrução, promove a autodeterminação e a autonomia das crianças. No acto, o governante fez um balanço dos últimos cinco anos do projecto Jardim do Livro Infantil, que considerou positivo, em especial porque neste período mais de um milhão de crianças beneficiaram da iniciativa.
As várias acções ligadas ao projecto, que permitiram colocar mais livros nas bibliotecas e facilitar o acesso ao livro, assim como os jovens estarem em contacto directo com os autores são ganhos obtidos ao longo destes anos pelo Jardim do Livro Infantil.
Actualmente, acrescentou, foram identificadas novas acções que podem vir a melhorar o programa e corrigir as falhas encontradas neste programa. Entre as perspectivas para o futuro, constam a criação de movimentos literários, sessões de contos e formações na área da literatura.
“Porém, é necessário que os actores sociais, como a família, as escolas e a sociedade participem mais activamente neste projecto”, reforçou.
As honras da casa foram feitas pelo vice-governador para a área Política e Social, que elogiou o projecto e lamentou o facto de nos últimos anos os adolescentes e jovens terem demonstrado pouco interesse pela leitura.
Manuel Campo informou ainda que os adolescentes e jovens da província preferem, na maioria das vezes, fazer o uso constante das redes sociais ao invés de lerem com mais frequência. “O quadro só muda com o engajamento de todos, em especial da família e da escola. O hábito de leitura é fundamental à preparação dos futuros quadros do país”, disse o secretário de Estado.
Durante a actividade, foi entregue o prémio à vencedora desta edição do Jardim do Livro Infantil, a escritora Maria José Saraiva, pelo conto “A princesa preguiçosa”. O concurso que já vai na sua oitava edição é realizado a nível nacional e tem como principal público-alvo crianças, adolescentes e jovens.
Os livros do género conto e poesia, de autores angolanos, foram os mais vendidos no primeiro dia da 11.ª  edição do Jardim do Livro Infantil que decorre até amanhã na província de Malanje.
Dentre as obras mais procuradas, destacam-se o conto “A menina eu flores”, de Maria Eugénia Neto, “O menino brincalhão”, de Maria Celestina Fernandes, “Londinho - o menino de lodo-boneco de ouro”, da autoria de Áurio Quicunga, e “Jango dos sapos”, de Dário de Melo.
A par destas, saltam ainda à vista dos feirantes os livros “Vuvu kietu” de Yola Castro, “Lutchila” de Rosalina Pombal, e “Girassol no reino das flores”, de Maria João, cujo preço de venda oscila entre os 200 e os dois mil kwanzas.
O Jardim do Livro Infantil reserva sessões de leitura e narração de contos, apresentação de peças artesanais, pintura, visitas guiadas à Biblioteca Provincial de Malanje, assim como espectáculos culturais.
O Jardim do Livro Infantil, que prossegue até amanhã em todo o país, é um espaço de lazer e literatura, realizado anualmente pelo Ministério da Cultura, com o objectivo de despertar o interesse pelos livros e pela escrita.

Tempo

Multimédia