"Designer" pede mais atenção aos livros


9 de Março, 2015

Fotografia: Reuters

O designer e fundador da Lars Müller Publishers, das mais influentes editoras internacionais de arquitectura e design, Lars Müller, disse que o livro continua a ser “objecto precioso” e ser editor é oportunidade para se “fazer o bem”.


Honestidade, autenticidade e independência são palavras recorrentes no discurso de Lars Müller, que participou, na cidade portuguesa do Porto, numa conferência sobre “a arquitectura num mundo analógico e digital”, assumiu ser “um bibliófilo fervoroso” e defendeu “a soberania do livro impresso sobre o digital”.
O designer apelou a “uma coexistência saudável, sem canibalizações mútuas”, pois “o analógico e o digital são como um irmão e uma irmã com talentos diferentes”, disse.
Também falou sobre a sua actividade de editor “feita acima de tudo em nome do leitor”. Desde 1983, a Müller lançou 800 livros sobre tipografia, design, arquitectura, arte, fotografia e sociedade, de autores como Peter Zumthor, Rem Koolhaas e Jasper Morrison.
“Trato o livro como um objecto precioso ou uma cápsula do tempo e da memória capaz de instigar perspectivas críticas e novos modos de ver e consequentemente de melhor entender a sociedade”, declarou.
Publicar livros, referiu, implica, para um autor ou um editor, que haja um duplo investimento do leitor, que gaste dinheiro e tempo a lê-lo.
“Agora há uma imensidão de propostas, mas muitas vezes fico com a sensação que são boas para o autor, mas que não há público”, afirmou.
Por pragmatismo, prosseguiu, muitas editoras aceitam publicar um livro por ser financiado por x ou y ou mesmo por razões económicas. Lars Müller revelou que prefere fazer livros, cujo assunto de outra forma dificilmente chegava aos leitores. “Qual é a estratégia para publicar livros sobre um assunto, sobretudo quando hoje há tanta informação online é o segredo de um bom editor.”
A estratégia, acentuou, é seleccionar, editar e estruturar cuidadosamente para tentar contextualizar e interpretar o que a informação nos dá. “Não é coleccionar dados. Por exemplo, os apêndices e a lista de exposições e obras do autor não fazem mais sentido porque estão na Internet e isso liberta o livro. Costumo dizer aos alunos que o editor é o advogado do leitor, que pensa com carinho no autor.”

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