Emigração é analisada em livro


29 de Setembro, 2014

Fotografia: Divulgação

“Os Vivos, o Morto e o Peixe Frito” é o título do novo livro de Ondjaki apresentado, em Lisboa, no qual faz uma abordagem diferente sobre a emigração e a situação social e cultural dos imigrantes.

O livro, disse o autor, procura fazer uma reflexão maior de um assunto, que com o passar dos anos tem novos contornos.
Todos os países, afirmou, têm o direito de gerir a entrada e saída de pessoas, mas a “atitude humana” face aos imigrantes devia “diminuir as fronteiras”.
As personagens do livro, referiu, conhecem-se no edifício Migração-Com-Fronteiras, “porque é isso que esses serviços fazem”.
“Às vezes são pequenos equívocos, que, porém, do ponto de vista do cidadão, do ser humano, fazem toda a diferença”, declarou.
 “Quando nos dizem ‘falta um papel’, isso implica esperar mais uma ou duas semanas. Um serviço onde se controla o passaporte, os documentos, a legalização de outro ser humano, já é pouco humano necessariamente”, disse. Emigrante “oficial”, pois vive entre o Brasil e Portugal, Ondjaki disse que o livro é também um pouco da sua própria experiência de vida.
“Testemunhei muita coisa, em todos os países já me aconteceu refilar em nome de outras pessoas, porque falam mal com os mais velhos ou alguém que se expresse mal em português”, criticou.
O escritor, que assume que o humor é útil para “tratar, principalmente, os temas sérios de maneira leve, mas não superficial”, revelou que usou no livro o termo “confraternização palopiana” para se referir aos cidadãos dos vários Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) que estão em Portugal.
Ondjaki, pseudónimo de Ndalu de Almeida, natural de Luanda, concluiu em Lisboa a licenciatura em Sociologia e fez, em Itália, doutoramento em “Estudos Africanos”.
Em 2000, obteve o segundo lugar no concurso literário António Jacinto, realizado em Angola, e publicou o primeiro livro, “Actu Sanguíneu”. Após frequentar durante seis meses a Universidade de Columbia, Nova Iorque, filmou com Kiluanje Liberdade o documentário “Oxalá Cresçam Pitangas - Histórias da Luanda”.
Prosador, às vezes poeta, Ondjaki, que é membro da União dos Escritores Angolanos, também se interessa por teatro e a pintura.Tem já duas exposições individuais em Angola e no Brasil. Está incluído em antologias no Brasil, Portugal e Uruguai.
Alguns dos seus livros foram traduzidos para francês, inglês, alemão, italiano, espanhol e chinês. Ondjaki foi distinguido igualmente na Etiópia com o prémio Grinzane atribuído ao melhor escritor africano. No ano passado recebeu, em Lisboa, o Prémio Literário José Saramago pelo seu romance “Os Transparentes”.

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