Escritor realça contributo da literatura


2 de Agosto, 2015

Fotografia: Paulino Damião

O escritor António Panguila realçou na Maka à Quarta-feira, em Luanda, o papel da literatura para a consciencialização dos cidadãos nacionais, tendo influenciado os angolanos para libertação do país do jugo colonial.

O escritor fez este pronunciamento a propósito dos 40 anos da independência nacional, alcançada a 11 de Novembro de 1975. Segundo o autor, a literatura constituiu um instrumento importante na luta contra o sistema colonial português.
"A literatura serviu para despertar o sentido patriótico do angolano e incentiva-lo a lutar pelo seu direito de liberdade e soberania do país".
Referiu que a luta de libertação nacional baseou-se muito no "grito de revolta literária" de nacionalistas angolanos, que incentivou outros cidadãos a se juntarem à causa.
Na sua opinião, a literatura constituiu uma importante arma de combate no processo da luta de libertação nacional, porque "foi a partir dos escritos de nacionalistas que muitos angolanos foram sensibilizados e mobilizados para a luta de libertação nacional".
Entre os escritores nacionalistas da época, António Panguila lembrou António Agostinho Neto, António Jacinto, Agostinho Mendes de Carvalho "Uanhenga Xitu", Luandino Vieira, Pepetela, Jofre Rocha e Viriato da Cruz.
Actualmente, precisou, a literatura está a servir para o resgate dos valores morais e cívicos, preservação da cultura e identidade nacional, sensibilização da população, principalmente os jovens, para apoiarem o processo de desenvolvimento do país.
Por outro lado, defendeu também a necessidade da revitalização da Brigada Jovem de Literatura (BJL), no intuito de voltar a desempenhar os objectivos que nortearam o seu surgimento, que é motivar os jovens a terem o gosto pela leitura, escrita e o fomento de novos escritores.
Segundo o orador, a BJL deve cumprir com o seu papel, que norteou a sua criação a 5 de Julho de 1980, "pois já contribuiu no aparecimento da nova nata de escritores no país, entre os quais Lopito Feijó, António Fonseca, Conceição Cristóvão, João Maimona, John Bellas, e outros".
Reconheceu que  o país está em transformação e a BJL não está alheia a essa realidade, daí a necessidade de revitalização de forma que haja crescimento em todos os aspectos, e permita o surgimento de novos autores.
A primeira Brigada Jovem de Literatura foi proclamada no mês de Julho de 1980, em Luanda, e posteriormente seguiram-se os núcleos nas províncias da Huíla, do Huambo, em 1981.
Na províncias de Luanda e da Huíla os textos eram publicados nas revistas "Aspiração" e "Hexágono", respectivamente.
Os primeiros livros editados pela BJL foram dos escritores Fernando Couto, António Fonseca, Carlos Ferreira e Carlos Silva.
António Panguila foi membro da Brigada Jovem de Literatura de Luanda (BJLL), tendo exercido as funções de Secretário para a Organização e Finanças, entre 1984-1987, secretário de Actividades Editoriais, entre 1987 e 1990, Secretário Adjunto, de 1990 a 1993 e Vice-presidente da Mesa da Assembleia Geral, entre 1993 e 1998.
Poeta e escritor, natural de Luanda, tendo passado a sua infância em Quibala, província do Cuanza Sul, licenciou-se em História, pelo Instituto Superior de Ciências de Educação (ISCED) da Universidade de Luanda Agostinho Neto, onde apresentou o ensaio "Impacto Histórico-Literário do Ohandanji".
Integrou o colectivo literário  Ohandanji, formado pelo grupo de jovens poetas que começaram por publicar no suplemento "Vida & Cultura", do Jornal de Angola, e na gazeta Lavra e Oficina da UEA. Como membro da UEA, desde 1995, desempenhou as funções de Secretário do Conselho Fiscal e de Secretário de Administração e Finanças, entre 1998 e 2000. Posteriormente assumiu o cargo de Secretário para Actividades Culturais.
Em 1996, venceu a primeira edição do Prémio Literário de poesia "Cidade de Luanda", promovido pelo Governo Provincial de Luanda, no âmbito das comemorações dos 400 anos da fundação da cidade de Luanda. Tem publicado textos jornalísticos em revistas nacionais e estrangeiras, com destaque da revista "Novembro", o suplemento moçambicano "Domingo" e a revista "Cassendo", da Associação Angola-Portugal.
Autor de "O Vento do Parto" (1993) e "Amor Mendigo" (1997), conquistou vários prémios, e tem trabalhos nas antologias de Lopito Feijóo, "No Caminho Doloroso das Coisas - Antologia de Jovens Poetas Africanos" (1988) e "Sinais de Aurora" (1990).

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