Cultura

Feira Internacional do Livro e Disco no Palácio de Ferro

Jomo Fortunato |

A 11ª edição da Feira Internacional do Livro e do Disco, que este ano vai de 3 a 9 de Julho, no Palácio de Ferro, numa co-realização com a III Trienal de Luanda, abre as suas portas, hoje, às 17h00, com um discurso do Secretário de Estado da Cultura, João Constantino, em representação da Ministra da Cultura, Carolina Cerqueira.

Actividades da décima primeira edição apresentam um novo cenário e espaço para expositores e leitores no pátio do Palácio de Ferro na Baixa de Luanda
Fotografia: Paulino Damião | Edições Novembro

Este ano a III Trienal de Luanda, projecto da Fundação Sindika Dokolo, acolhe pela primeira vez a Feira Internacional do Livro e do Disco, certame que está a cargo da editora Arte Viva, edições e eventos culturais, que tem tido o apoio de instituições públicas e empresas privadas, interessadas na concretização do projecto. A filosofia organizacional do evento, de periodicidade anual, obedece às linhas mestras do discurso do Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, proferido no III Simpósio Sobre Cultura Nacional, em 2006.
No entanto, importa lembrar que no tradicional discurso de fim de ano, em 2005, o Presidente da República lembrava o seguinte: “Virámos a página da guerra e da destruição, abrimos o capítulo da paz, para reconstruir o que está partido, para construir coisas novas, para promover os valores morais e sociais positivos, para criar novos factos culturais, afirmar a identidade nacional e desenvolver a nossa cultura”.
 Inspirado neste discurso a Feira Internacional do Livro e do Disco acontece sob o signo “Criar novos factos culturais”, uma frase de grande impacto cultural e pedagógico, e a valorização deste pronunciamento, como lema, constitui uma estratégia de promoção da imagem do Chefe do Executivo Angolano, em relação à cultura.
A Feira Internacional do Livro e do Disco  é uma oportunidade, ímpar, de convívio e de intercâmbio cultural, abrindo inúmeras oportunidades comerciais, entre editores, produtores, livreiros e alfarrabistas nacionais, e de países estrangeiros com representação diplomática em Angola, que pretendam promover as suas literaturas e músicas, mais representativas. O evento complementa o sistema literário e discográfico, dinamizando um processo que inclui a promoção e defesa dos direitos do autor, do editor, do importador, do livreiro, do distribuidor e dos alfarrabistas.

Objectivos

 A Feira Internacional do Livro e do Disco tem como objectivos fundamentais promover a circulação do livro e do disco, facilitando o seu acesso e circulação num só espaço, proporcionar à juventude angolana, principal público-alvo, e às comunidades estrangeiras residentes e visitantes em geral, o gosto e o conhecimento dos principais referentes culturais no domínio da literatura, música e das culturas internacionais. O certame visa ainda reforçar o intercâmbio cultural e comercial entre editores, livreiros, discotecários, músicos e expositores estrangeiros, alargando e proporcionando o debate sobre questões musicais e literárias, constituindo o resultado do ciclo de palestras e debates, uma fonte de documentação e registo.
Executivo
O Executivo angolano reconhece a importância estratégica do livro, da promoção da leitura pública, da produção discográfica e do alargamento da rede de bibliotecas. Com o advento da paz, rumo ao progresso social e económico, foi aprovada a Política do Livro e da Promoção da Leitura, um documento abrangente que propõe claros objectivos, desagravando as taxas alfandegárias de importação das matérias-primas que intervêm na cadeia de produção do livro. Apoiando iniciativas do género, o Executivo Angolano defende, de forma implícita, a democratização do saber, contribuindo para que o conhecimento seja um factor de acesso ao emprego e de diminuição das assimetrias sociais.
 
Tecnologias

 Apesar dos inegáveis avanços das modernas tecnologias da esfera comunicacional, e ao contrário dos profetas que advogam o fim do livro, onde a escrita alfabética seria substituída por uma cultura de sinais, o livro ainda é a nossa melhor ferramenta de trabalho, de acesso à cultura e o companheiro ideal em todos os momentos. Devemos estar atentos ao crescente movimento editorial angolano, que, no passado, teve momentos gloriosos de edição, sobretudo depois da independência com a União dos Escritores Angolanos, e, no presente, vem dando sinais de qualidade concorrencial, e consequente afirmação internacional.A construção de bibliotecas públicas, para a fruição da leitura pelos munícipes, e a criação de espaços de lazer cultural, pode inverter a tendência crescente dos números da delinquência juvenil, um mal com que nos deparamos, frontalmente, no nosso quotidiano.

Autógrafos


A Feira Internacional do Livro e do Disco acolhe este ano para a sessão de autógrafos os escritores Filipe Mukenga, com a obra “Vida Poesia e Canções + CD Retrospectivo”, António Luvualu de Carvalho, “Angola, Economia e Petróleo - 2002/2010”, “União Africana Quo Vadis”, Adebayo Vunge, “Pensar África”, Miguel Fernando, “O Turismo em Angola - O Caso Específico da Planificação do Mussulo”, Domingos Barros Neto, “Angolanidade e História”, Bendinho Freitas, “A etnia pitoresca das palavras”, Ismael Silva, “Luena: 45 Dias de Batalha - Cerco à Cidade e Negociações em Bicesse”, Honório Thater, “Informática a um Clich”, Honoré Mbunga, “Como Elaborar um Projecto? 2ª Edição”,  Eugénio Silva, “Gestão do Ensino Superior em Angola: Realidades, Tendências e Desafios Rumo à Qualidade”,  Adalberto Lucuati, “Pedido só no Cemitério”, John Bela, “Embebedaram a chuva”, Cristóvão Neto, “Catarse”, António Gonçalves, “Cantos misteriosos que me acenam com os pés”, Diá Kasembe, “As Mulheres Honradas e Insubmissas de Angola”, “Cartas, recados e Desabafos”, “Reflexão Filosófica sobre a Estupidez Codificada”, António Pompílio, “O Leão e o Rio e outros contos”, Maria Celestina Fernandes, “Os panos brancos”, “Tino e companheiros”, Jimmy Rufino, “Egos da Carne”, Albano Pedro, “Cursos de Direito e Profissões Jurídicas”, “Práticas de Direito Internacional Privado”, “Direito Internacional Público”, Trajano Nankova Trajano, “Fisionomia do limite”, João Tala, “A rua da insónia”, Marta Santos, “Contos de cá...pedaços de mim”, Luís Fernando, “Um Ano de Vida, 2ª edição”, “Dois Anos de Vida, 2ª edição”, “Três Anos de Vida”, “A Saúde do Morto, 3ª edição”, “Clandestinos no Paraíso - Crónica de uma Cidade”, “Silêncio na Aldeia”, Akiz Neto, “Poeticidade no discurso prosaico...”, Kudijimbe, “Pedaços de Areia”, Fernando Kafukeno, “Erosão do fogo”, Filipe Miranda, “Aplicação da Didáctica no Ensino Superior”, Conceição Cristóvão, “Solsalseiosexo”, Orlando Muhongo, “Os Angolanos que Libertaram Mandela - A Desconstrução de um mito”, Pombal Maria, “Palavras lacradas”,  Vladmir Russo, “As Estrofes da Bicharada”, “O Mistério das Autorizações”, e Patrício Batsikama, “Introdução à História das Artes em África”, “Nação, Nacionalidade e Nacionalismo em Angola”.

  Programa inclui ciclo de palestras e cinema nacional

No período  o de 3 a 9 de Julho, estão previstos os concertos na seguinte sequência, Ndaka Yo Wiñi, Hélder Mendes, Sandra Cordeiro, Duo Canhoto, que vai interpretar canções do conjunto Nzaji Anabela Aya, Teddy e Inter-Palanca, e Lito Graça.  No domínio da sétima arte está previsto um ciclo de cinema angolano com a exibição dos filmes, “Comboio da Canhoca”, de Orlando Fortunato, “O herói” de Zezé Gamboa, Valeu de Asdrúbal Rebelo, "Langidila, diário de um exílio sem regresso" de José Rodrigues e Nguxi dos Santos, “Ritmo do Ngola ritmos” de António Ole,  “Gindungo@.com” de Henrique Narciso “Dito” e “Os Emplastos” do realizador Alberto Botelho. O ciclo de palestras começa com a abordagem do tema, “Uma leitura do livro “Doutrina” de Lopito Feijóo, por Pombal Maria, moderada pelo poeta, Bendinho Freitas, “O inconsciente nacional na narrativa ficcional angolana- um olhar propedêutico”, Joaquim Martinho e Carlos Cabombo, “Independência e Literatura de Intervenção”,  António Gonçalves  e António Panguila, “Liderança e desenvolvimento pessoal”, Dárdano Santos e Waldemar Tavares, “O surrealismo na prosa angolana”,  Hélder Simbad e  Cíntia Eliane, e “As canções de óbito e de festa nas culturas Congo e Ovimbundu”, por Domingas Monte  e Mónica Luhma.

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