Feira Internacional do Livro e do Disco

Jomo Fortunato |
22 de Agosto, 2016

Fotografia: Eduardo Pedro

A 10ª edição da Feira Internacional do Livro e do Disco, que este ano vai de 22 a 28 de Agosto, no Centro de Formação de Jornalistas (CEFOJOR), abre as suas portas, hoje, com um discurso do Director do Instituo Nacional das Indústrias Culturais (INIC), Gabriel Cabuço, em representação da Ministra da Cultura, Carolina Cerqueira.

A realização da Feira Internacional do Livro e do Disco está a cargo da editora ArteViva, edições e eventos culturais, com apoio de instituições públicas e empresas privadas, interessadas na concretização do projecto, e a filosofia organizacional do evento, de periodicidade anual, obedece às linhas mestras do discurso do Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, proferido no III Simpósio Sobre Cultura Nacional, em 2006.
No tradicional discurso de fim de ano, em 2005, o Presidente da República lembrava o seguinte: “Virámos a página da guerra e da destruição, abrimos o capítulo da paz, para reconstruir o que está partido, para construir coisas novas, para promover os valores morais e sociais positivos, para criar novos factos culturais, afirmar a identidade nacional e desenvolver a nossa cultura”. Inspirado neste discurso a Feira Internacional do Livro e do Disco acontece sob o signo “Criar novos factos culturais”, uma frase de grande impacto cultural e pedagógico, e a valorização deste pronunciamento, como lema, constitui uma estratégia de promoção da imagem do Chefe do Executivo Angolano, em relação à cultura.
A Feira Internacional do Livro e do Disco é uma oportunidade, ímpar, de convívio e de intercâmbio cultural, abrindo inúmeras oportunidades comerciais, entre editores, produtores, livreiros e alfarrabistas nacionais, e de países estrangeiros com representação diplomática em Angola, que pretendam promover as suas literaturas e músicas mais representativas. O evento complementa o sistema literário e discográfico, dinamizando um processo que inclui a promoção e defesa dos direitos do autor, do editor, do importador, do livreiro, do distribuidor e dos alfarrabistas.

Palestras

Durante o ciclo de palestras da 10ª edição da Feira Internacional do Livro e do Disco serão abordados, num modelo interactivo, os seguintes temas: “Uso da língua portuguesa na imprensa”, por Maria Helena Miguel, Vice-Reitora da Universidade Católica, palestra que será moderada por Pedro Neto, jornalista da Rádio Nacional de Angola, “O papel da juventude na comunicação social”, Salomão Abílio, estudante de Direito e radialista da RNA, com Victor Hugo Mendes, apresentador de televisão, “Papel da cultura na diversificação da economia”, António Fonseca, economista e assessor do Ministério da Cultura, Afonso Valentim, consultor da Comissão Nacional da UNESCO, “Importância da nutrição na prevenção de doenças metabólicas”, José Nguepe, nutricionista, João Simba, Decano do Instituto Superior Politécnico Internacional de Angola, “Balanço do Investimento Social do Banco Millennium-Atlântico”, Dárdano Santos, Director de Mecenato do Banco Millennium-Atlântico com Waldemar Tavares, Director do grupo coral do “Projecto Logos”, “Plano nacional de formação em cinema”, Francisco Keth, secretário-geral da Aprocima, com Sérgio de Oliveira, guionista e secretário para a formação da Aprocima, “Periodização e conflito de gerações na literatura angolana”, Pombal Maria e Norberto Costa, secretário para as actividades culturais da UEA e jornalista e escritor, respectivamente, com David Kapelenguela, escritor da UEA, “Historial do Movimento  Lev´arte”, Kardo Bestilo, coordenador geral, e Kiocamba Kassua, secretário executivo nacional do referido movimento.

Aniversário

O dia 28 de Agosto de 2016, data do septuagésimo quarto aniversário do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, será comemorado na Feira Internacional do Livro e do Disco com uma programação especial que inclui microfone livre, em que os visitantes da feira vão desejar parabéns ao Presidente da República, uma palestra sobre a “Vida e obra de José Eduardo dos Santos”, proferida por Aldemiro Vaz da Conceição, Director de quadros da Presidência da República, moderada por António Luvualu de Carvalho, Embaixador Itinerante, sessão de autógrafos dos livros “José Eduardo dos Santos e os desafios do seu tempo”, Volumes I e II, organizados por José Mena Abrantes e “José Eduardo dos Santos e a ideia da Nação Angolana” de Patrício Batsîkama. No âmbito da referida programação especial, haverá um momento musical com o Duo Canhoto, que vai interpretar canções do conjunto Nzaji. Na sequência da programação está previsto a exibição, no ciclo denominado Cine-café, do documentário “Reconstrução nacional na agricultura” do realizador Leonel Efe, uma película que mostra imagens do Presidente da República, José Eduardo dos Santos em Malanje, na campanha de colheita do milho. Teremos por último o concerto de encerramento com o conjunto os “Kiezos”.

Objectivos


A Feira Internacional do Livro e do Disco tem como objectivos fundamentais promover a circulação do livro e do disco, facilitando o seu acesso e circulação num só espaço, proporcionar à juventude angolana, principal público-alvo, e às comunidades estrangeiras residentes e visitantes em geral, o gosto e o conhecimento dos principais referentes culturais no domínio da literatura, música e das culturas internacionais.
O certame visa ainda reforçar o intercâmbio cultural e comercial entre editores, livreiros, discotecários, músicos e expositores estrangeiros, alargando e proporcionando o debate sobre questões musicais e literárias, constituindo o resultado do ciclo de palestras e debates, uma fonte de documentação e registo.

Autógrafos


O programa da sessão de autógrafos dos livros e discos, que irá proporcionar um contacto mais directo entre autores e leitores, inclui os seguintes títulos literários e discográficos: “Filipe Mukenga, vida poesia e canções + CD retrospectivo”, de Filipe Mukenga, “A acácia e os pássaros”, de Manuel Rui, “Angola no coração, Angola em poesia” de Carlos Simões, “Issunje”, de Albino Carlos, CD, “Mafumeira” de Tonito, “Alguns versos”, de KajimBan-Gala, “Contos maravilhosos do meu kimbo”, Paulo Campos, “Todos nós fomos distantes”, de Luia Pereira, “Fronteira, a passagem do limite”, de António Pompílio, “A dança da chuva”, Fragata de Morais, “Sucesso Empresarial versus fracasso familiar”, Carlos Francisco, “Uma versão diferente da vida e Met(amor)fosse”, Rosa Soares, “Uma passagem de ano fantástica na Baía das Pipas”,Cremilda de Lima, “Senhor, há poetas no telhado”, Amélia Dalomba, “Forças da minha lavra”,Luís Rosa Lopes, “Prazeres do delírio sensual”, poemas de amor de Norberto Costa, “José Eduardo dos Santos e os desafios do seu tempo”, Volumes I e II, organização de José Mena Abrantes e “José Eduardo dos Santos e a ideia da Nação Angolana”,  de Patrício Batsîkama.

Concertos

Compositora e cantora de múltiplos recursos vocais, Anabela Aya abre hoje a programação de concertos da Feira Internacional do Livro e do Disco, marcado para às 18h00. Anabela Aya é, para além de prestigiada actriz, uma das vozes mais promissoras da nova geração de intérpretes do universo afrojazz, e tem enveredado, de forma segura e modesta, pelos caminhos híbridos da renovação estética da Música Popular Angolana. O programa inclui, até 28 de Agosto, os seguintes concertos: Trio Lídio Gomes, Coral da Igreja Baptista, Os Remidos, grupo da Igreja Metodista Unida de Calemba, Brigada artística do Comando da Polícia Nacional, Tata Ngana, Chiley e Banda Revivalista, e o encerramento com o conjunto os  “Kiezos”.

Executivo


O Executivo angolano reconhece a importância estratégica do livro, da promoção da leitura pública, da produção discográfica e do alargamento da rede de bibliotecas. Com o advento da paz, rumo ao progresso social e económico, foi aprovada a Política do Livro e da Promoção da Leitura, um documento abrangente que propõe claros objectivos, desagravando as taxas alfandegárias de importação das matérias-primas que intervêm na cadeia de produção do livro. Apoiando iniciativas do género, o Executivo Angolano defende, de forma implícita, a democratização do saber, contribuindo para que o conhecimento seja um factor de acesso ao emprego e de diminuição das assimetrias sociais.

Tecnologias


Apesar dos inegáveis avanços das modernas tecnologias da esfera comunicacional, e ao contrário dos profetas que advogam o fim do livro, onde a escrita alfabética seria substituída por uma cultura de sinais, o livro ainda é a nossa melhor ferramenta de trabalho, de acesso à cultura e o companheiro ideal em todos os momentos. Devemos estar atentos ao crescente movimento editorial angolano, que, no passado, teve momentos gloriosos de edição, sobretudo depois da independência com a União dos Escritores Angolanos, e, no presente, vem dando sinais de qualidade concorrencial, e consequente afirmação internacional. A construção de bibliotecas públicas, para a fruição da leitura pelos munícipes, e a criação de espaços de lazer cultural, pode inverter a tendência crescente dos números da delinquência juvenil, um mal com que nos deparamos, frontalmente, no nosso quotidiano.

capa do dia

Get Adobe Flash player




ARTIGOS

MULTIMÉDIA