Heroínas angolanas relembradas em livro

Francisco Pedro|
31 de Março, 2015

Fotografia: José Cola

Kimpa Vita e Njinga Mbande são duas das “grandes figuras femininas” que o antigo futebolista francês Lilian Thuram narra no seu livro “As Minhas Estrelas Negras - de Lucy a Barack Obama”, lançado na Mediateca de Luanda, no âmbito da sua visita a Angola.

O autor fala dos feitos de Njinga Mbande, soberana dos antigos reinos do Ndongo e da Matamba, no quinto capítulo, designado “O Orgulho e a Coragem de Uma Rainha: Ana Njinga”.
Lilian relembra o facto de que Njinga Mbande “exigia às mulheres da nobreza angolana que soubessem ler e escrever e se exercitassem no manejo das armas. A rainha Ana Njinga ainda permanece no imaginário popular como personagem única, a prova de que os valores como o orgulho e a coragem são universais”.
Sobre Kimpa Vita, descrito no capítulo seguinte sob o tema “A Combatente pela Renovação: Dona Beatriz”, Lilian Thuram recorda o episódio segundo o qual Dona Beatriz recebeu uma orientação divina de Santo António: “Na sua imensa sabedoria, Santo António confiara-lhe a missão de libertar o reino do Congo do domínio do invasor português que, apoiado pela bênção do Papa, iniciara o tráfico negreiro, em 1455”.
O historiador Simão Souindoula considera o livro uma recapitulação das grandes figuras históricas de Angola, desde a pré-história, sendo na sua opinião uma obra relevante como uma lembrança para as novas gerações para o conhecimento da história universal.
O livro, versão em português, esgotou os poucos exemplares que a Aliança Francesa de Luanda pôs à venda.
Além das duas figuras femininas ligadas à História de Angola, “As Minhas Estrelas Negras - de Lucy a Barack Obama” também narra a vida de outras ilustres personalidades africanas e afro-descendentes que contribuíram para o desenvolvimento da humanidade, como Marcus Garvey, Nelson Mandela, Aimé Césaire, Patrice Lumumba, Rosa Parks, Mongo Beti, Muhammad Ali, Cheick Modibo Diarra, Barack Obama.
Durante a sua estada em Luanda, Lilian Thuram, que também visitou o Museu Nacional da Escravatura, questiona os leitores se conseguem lembrar-se do nome de um cientista negro, de um explorador, filósofo, ou faraó negro. Os leitores podem encontrar as respostas nas 438 páginas da obra editada em 2013, com colaboração do historiador Bernard Fillaire, ilustrações de Vera Tavares e tradução de Susana Silva.
O lançamento do livro de estreia de Lilian Thuram faz parte do ante-projecto da 12ª edição do Festival Internacional de BD e Animação “Luanda Cartoon”, organizada pelo estúdio Olindomar, em parceria com o Instituto Camões e Aliança Francesa de Luanda. A presença de Lilian Thuram em Angola, na óptica do director da Aliança Francesa de Luanda, Alain Sarragosse, é a confirmação da importância que o autor atribui à Banda Desenhada, um meio de expressão artística de grande impacto para contar uma história de vida, de alguém que por talento e mérito próprio se tornou uma estrela mundial.
“Acho muito importante que ele se sirva da BD como ferramenta para a mudança de consciência e integração dos diferentes estratos sociais”, referiu Alan Sarragose.
O cartoonista angolano Lindomar de Sousa mostrou-se, por sua vez, “muito satisfeito”, pelo facto de Lilian Thuram ter aceite o convite para partilhar a sua experiência, e constar do seu programa como presidente da Fundação da qual é patrono, vir a Angola para lançamento da sua obra de estreia.
A visita de Thuram foi iniciativa da Aliança Francesa e do Estúdio Olindomar.

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