Holocausto revisto em livro


13 de Dezembro, 2014

Fotografia: Divulgação

Os descendentes do Holocausto querem manter viva a memória da tragédia que viveram e vivem, na véspera do 70º aniversário da libertação de Auschwitz, que ocorre no próximo ano, com a publicação de um novo livro.


No livro, “Deus, Fé e Identidade a Partir das Cinzas: Reflexões de Filhos e Netos dos Sobreviventes do Holocausto”, 88 deles contam como herdaram as lembranças e como esperam transmiti-las.
“Muitos dos filhos e netos de sobreviventes do Holocausto, senão a maioria, vivem com fantasmas”, escreve Menachem Rosensaft, um dos herdeiros de memórias, na introdução do livro que editou.
“De certa maneira, somos assombrados da mesma maneira que é um cemitério. Trazemos as sombras e os ecos de uma morte angustiada que não testemunhamos.”
Os autores do livro, de 16 países, têm entre 27 e 72 anos de idade. Alguns nasceram em Campos de Concentração na Europa no final da II Guerra Mundial, mas muitos, dos 20 aos 30, são netos das principais vítimas. Nenhum deles tem lembranças pessoais do Holocausto, no qual seis milhões de judeus foram assassinados.
Embora muitos livros e estudos sobre filhos e netos de sobreviventes do Holocausto se dediquem aos aspectos psicológicos, os autores deste trabalho concentram-se no modo como as experiências dos pais e avôs ajudaram a moldar a sua identidade, bem como a atitude em relação a Deus e ao judaísmo. Um deles, pelo menos, é ateu.
Entre os 51 homens e as 37 mulheres há académicos, escritores, rabinos, políticos, artistas, jornalistas, psicólogos, um actor e um terapeuta. Dos mais jovens é Alexander Soros, 29 anos, filho do investidor George Soros. A primeira vez em que os dois se sentiram ligados foi quando o pai lhe falou das experiências de infância na Budapeste ocupada pelos alemães em 1944.
Uma das mais idosas do grupo de autores, Katrin Tenenbaum, de 72 anos, italiana, escreve que à medida que a distância do Holocausto aumenta “a tristeza perde o foco, tornando-se de certa forma mais difusa e ao mesmo tempo mas difícil de precisar”.
O livro começa com um prólogo do vencedor do Prémio Nobel da Paz, Elie Wiesel, 86 anos, que sobreviveu aos campos de concentração de Auschwitz e Buchenwald, Sublinha a importância da preservação do legado, apesar do dilema que vive quanto à maneira de transmitir às futuras gerações “a memória herdada”.
“Estamos sempre a dizer que a civilização se traiu a si mesmo ao trair-nos, que a cultura terminou em falência moral e que queremos aperfeiçoar ambas, não uma à custa da outra”, escreve.

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