Jorge Gumbe transporta contos para as telas

Roque Silva |
16 de Abril, 2016

Fotografia: Paulino Damião

As lendas e mitos ligados à cultura tradicional angolana estão destacados na exposição “Ressonância e Inspiração” de Jorge Gumbe, inaugurada quinta-feira e que fica patente  até 6 de Maio no Instituto Camões - Centro Cultural Português, em Luanda.

O artista transporta em 35 gravuras inéditas, em preto e branco e a cores, histórias da sua infância, contadas à volta da fogueira pelos “mais velhos”, em línguas nacionais.
A mostra está dividida em várias fases que compreendem os anos de 1978 a 2015 e representados em temas, nos quais explora a forma, o espaço, a textura e o movimento, como elementos que constituem as relações de concordância da linguagem visual e as expressões e sentimentos gerados pela máscara, pelo rosto e pela árvore, neste caso o embondeiro.
“Solidariedade com os povos da África do Sul e da Namíbia”, “Estórias dos Mukixis”, “Quitandeiras”, “Estórias sobre o mar”, “Estórias sobre o Embondeiro”, “A apoteose da Kianda” e “Convivência” são alguns dos títulos das gravuras da exposição “Ressonância e Inspiração” .
Jorge Gumbe ilustra na mostra os textos “Ondula, Savana Branca”, de Ruy Duarte de Carvalho, “Caminho do mato”, de Agostinho Neto, e “O feitiço da rama de abóbora”, de Cikakata Mbalundu, para “matar” as saudades e obter informações sobre Angola numa altura em que encontrava no estrangeiro por razões académicas.
O autor narra o contexto da época pós-independência de Angola, no qual defende que o angolano deve assumir a sua cidadania em função de um símbolo de identificação, através da máscara africana e do rosto.
Jorge Gumbe apresenta em tela o período do recurso à literatura oral africana e do movimento do espaço, como a fase da libertação das angústias para se libertar dos monstros, numa das mais difíceis fases que foi o pós-independência.
Albano Martins, crítico e professor de Literatura Comparada da Universidade Fernando Pessoa do Porto, considera que Jorge Gumbe vem do tempo dos mitos, elege a terra e o fogo como elementos fundadores e vai buscar o barro às tintas com que veste o seu imaginário. A directora do Instituto Camões - Centro Cultural Português de Luanda  considerou o regresso do pintor ao contacto com o público um momento alto da arte angolana, por ser um dos artistas de maior expressão.
Teresa Mateus disse que a exposição “Ressonância e Inspiração” é uma rara oferta e uma das ocasiões mais sublimes da programação de actividades do Instituto Camões - Centro Cultural Português para este ano, que vai albergar outras exposições de artes plásticas, o Festival Internacional de Banda Desenhada (Luanda Cartoon), o lançamento de livros, espectáculos de teatro e dança, encontros, palestras e debates.
A exposição acontece três décadas depois do artista plástico  Jorge Gumbe ter conquistado, no mesmo local, o primeiro Prémio de Gravura do Concurso Internacional de Arte, promovido pelo então Banco de Fomento Exterior (BFE).

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