''Luanda Fica Longe''


26 de Junho, 2016

Fotografia: Santos Pedro

 “Luanda Fica Longe e Outras Estórias Austrais” é o título do próximo livro do escritor  José Luís Mendonça, a ser apresentado ao público angolano na quinta-feira, pelas 18h300, no Camões - Centro Cultural Português, em Luanda, numa parceria com a Texto Editora.

Editado pela Caminho, o livro “Luanda Fica Longe e Outras Estórias Austrais”, que foi apresentado em Março último, em Lisboa, por Ana Paula Tavares e Rodrigues Vaz, reúne 18 contos seleccionados pelo autor, escritos desde 1983 até aos dias de hoje.
Dos contos seleccionados, 15 foram revistos e reelaborados pelo autor ao longo do tempo e os restantes três são inéditos, designadamente “A fonte de Inspiração”, “A Secretária Dengosa” e Seis Anos”.
“Luanda Fica Longe e Outras Estórias Austrais” é a terceira obra de prosa  de José Luís Mendonça, vencedor do prémio nacional Cultura e Artes 2015, na categoria de Literatura, pelo conjunto da sua obra poética, depois da  publicação de  “Os vinte Dedos da Vida”, em 2003, e de “O Reino das Casuarinas”, em 2014.
Segundo um comunicado do Camões,  na sua mais recente obra, no estilo dominante a raiar a prosa poética, com recorrente afloramento irónico, o autor constrói um mosaico rico e diversificado,  juntando histórias de vida,  de quotidiano de  bairros de Luanda (Chicala, Cazenga e Boavista), de figuras, de  mitos e  de sonhos,  no contexto pós-independência do país, até à actualidade. “A história recente do país retratada através de personagens diversificadas, com a sensibilidade e mestria de um escritor  que tem vindo a  afirmar-se  na prosa, depois de ter conquistado um lugar cimeiro entre os poetas da sua geração”, lê-se no comunicado.        
O comunicado considera ainda “de rara beleza o conto ‘O Comboio de Trigo’ ou a história do menino que descobriu o segredo do comboio “(….) e assim ele viu o que mais ninguém via, o que aos olhos do mundo não valia a pena: do vagão do comboio caíam grãos vivos de trigo. E cada grão caía casado com uma gota de nuvem. E no chão de areia quente do fogo do meio dia, ao lado da linha do caminho de ferro, se alumiava uma nova linha de água e trigo vivo”.

Sobre o autor


José Luís Mendonça nasceu no dia 24 de Novembro de 1955, na comuna da Mussuemba, município do Golungo Alto. Licenciado em Direito pela Universidade Católica de Angola, é jornalista de profissão, actualmente vinculado na Edições Novembro EP, onde exerce o cargo de director e editor-chefe do Jornal Cultura, quinzenário de Artes & Letras.
Autor de vários livros de poesia, de um conto e de um romance, fez a sua aparição no mundo das letras angolanas com “Chuva Novembrina”, obra à qual foi atribuído em 1981 o prémio Sagrada Esperança pelo Instituto Nacional do Livro e do Disco.
Em 2005, o Ministério da Cultura atribuiu-lhe o prémio Angola Trinta Anos, na disciplina de Literatura, no âmbito das comemorações do 30º aniversário da Independência Nacional, pela sua obra poética “Um Voo de Borboleta no Mecanismo Inerte do Tempo”. No mesmo ano, foi contemplado com o prémio Notícias Gerais da Lusofonia, no concurso CNN MultiChoice Jornalista Africano.
No ano de 2015 foi-lhe outorgado o Prémio Nacional de Cultura e Artes na categoria de Literatura, devido à singularidade do estilo e ao valor cultural das temáticas tratadas, tendo instituído o amor como guia da sua produção literária, em torno do qual percorrem diversos outros temas, de entre os quais as relações entre os povos e o poder político, para além de, no conjunto da sua obra literária, associar a política e a ideologia, as interacções que a história recente de Angola levanta, as tradições populares e o maravilhoso, bem como a preservação do ambiente.

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