Morreu em Milão Umberto Eco


21 de Fevereiro, 2016

Fotografia: AFP

Morreu Umberto Eco, académico que se celebrizou com o romance histórico “O Nome da Rosa”, editado em 1980, e que se transformou num best-seller internacional. Eco tinha 84 anos e morreu ao final da noite de sexta-feira na sua casa em Milão, Itália.

A notícia da sua morte foi avançada pelo “Corriere della Sera”, jornal italiano com quem o escritor colaborou. Eco era uma das mais relevantes figuras da cultura italiana dos últimos 50 anos.
O romance “O Nome da Rosa”, um mistério passado num mosteiro medieval, foi traduzido em todo o mundo e vendeu mais de dez milhões de cópias. Mais tarde, foi adaptado ao cinema pelo realizador Jean-Jacques Annaud, com Sean Connery a desempenhar o papel principal.
Umberto Eco foi um pioneiro da semiótica, a ciência dos signos, um teórico da linguagem e autor de vários ensaios filosóficos. Foi relativamente tarde que publicou o seu primeiro romance, precisamente “Nome da Rosa”, mas foi este que lhe garantiu uma popularidade mundial ao pôr a sua enorme erudição ao serviço da construção do romance histórico.
Eco nasceu em Alexandria, na região do Piemonte, a 5 de Janeiro de 1932. Cresceu durante a II Guerra Mundial, estudou filosofia e estética e formou-se com uma tese sobre a estética de São Tomás de Aquino mas, sublinha “Le Monde”, não se mantém apenas na área da teoria e logo a partir de meados dos anos 50 entra no mundo dos media, começando por trabalhar na RAI, a televisão pública italiana, em programas culturais. Ao mesmo tempo, em 1962, publica a “Obra Aberta”, referência incontornável do seu pensamento na área da semiótica na qual defende que cada obra é composta por uma infinidade de signos e por isso oferece a possibilidade de múltiplas interpretações.
O interesse pela cultura popular leva Eco a publicar, por exemplo, o livro “Apocalípticos e Integrados”, nos anos 1960, no qual confronta a ideia de uma cultura elitista com a de uma cultura difundida livremente através de diferentes suportes. O jornal francês “Le Monde” refere que o interesse de Eco em analisar áreas tão distintas, do romance policial ao futebol, da publicidade ao terrorismo, parte, citando o próprio, de “uma vontade de ver sentido onde seríamos tentados a ver apenas factos”.
Várias vezes essa proximidade com a cultura popular foi questionada e Eco reagia com humor. Numa entrevista de 2002 ao “The Guardian” respondia assim ao jornalista: “Não sou um fundamentalista, dizendo que não há diferença entre Homero e Walt Disney. Mas o rato Mickey pode ser perfeito da mesma forma que um hai kai [poema curto] japonês.”

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