Pepetela dá valor ao reconhecimento no Brasil

César Esteves |
5 de Abril, 2016

Fotografia: Mota Ambrósio

A entrada do livro “Mayombe”, de Pepetela, na lista de obras seleccionadas pela Fundação Universitária para o Vestibular (FUVEST) para estudo no Brasil no triénio 2017, 2018 e 2019, é para o autor angolano um reconhecimento do trabalho literário e da sua carreira como escritor.

Em declarações ao Jornal de Angola, o autor de “Mayombe” disse tratar-se de mérito ao seu trabalho no mundo das letras, pois não foi  consultado pela instituição brasileira e recebeu a notícia com surpresa.  “Eles é que decidiram lá no Brasil. Recebi, ao mesmo tempo, a informação de surpresa a partir de vários sites na Internet. Fiquei satisfeito. Representa um maior reconhecimento da minha carreira”, disse o escritor.
O autor acrescentou ser a primeira vez que o livro de um escritor africano é seleccionado para fazer parte da lista da (FUVEST). “Até agora não havia escritores africanos como leitura obrigatória a este nível”, salientou.
Pepetela sublinhou que este passo representa uma mais-valia não só para a sua carreira, como também para o próprio Brasil. “Quer dizer que os brasileiros começam a interessar-se por África, a conhecerem-se melhor porque a África faz parte do ADN dos brasileiros”, afirmou o autor do livro  “Mayombe”. “Mayombe” é um romance que narra um momento importante da história política de Angola. A narrativa incide sobre a personagem “Sem Medo”, um líder guerrilheiro que comanda o seu pequeno contingente no meio de dificuldades, como o racismo, o tribalismo, o oportunismo e as ideologias.  Pepetela, de nome próprio Artur Pestana, nasceu em Benguela, em1941. É na sua cidade natal que Pepetela faz o ensino primário, depois partiu para o Lubango, porque só aí era possível prosseguir os estudos e foi no Liceu Diogo Cão que Pepetela completou o ensino secundário.
Lisboa, em 1958, foi o destino académico que se seguiu, no Instituto Superior Técnico que o autor frequentou até 1960. Uma vez mais a mudança, desta vez para frequentar o curso de Letras apenas durante um ano, pois, em 1961, Pepetela faz a opção política que viria a mudar o rumo da sua vida e a marcar toda a sua obra, tornando-o um narrador de uma história de Angola que conhece, porque a viveu. Pepetela tornou-se militante do MPLA em 1963.

Lista dos livros

Além de “Mayombe” de Pepetela, fazem parte da lista dos livros seleccionados pela FUVEST como leitura obrigatória no Brasil no triénio 2017/2019, as obras literárias “Iracema”, de José de Alencar, “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, “O Cortiço”,  de Aloísio Azevedo, “A Cidade e as Serras”, de Eça de Queirós, “Claro Enigma”, de Carlos Drummond de Andrade, e “Sagarana”, de João Guimarães Rosa, para os dois primeiros anos. Excepcionalmente, “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, consta apenas da lista para 2017, “Minha vida de menina”, de Helena Morley, para 2018, e “A relíquia”, de Eça de Queirós, para 2019.
Todos os títulos da lista são de consagrados autores da literatura brasileira ou portuguesa - ou seja, fazem parte do conteúdo esperado para o ensino médio. A surpresa deste ano é a inclusão de “Mayombe”, do angolano Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos “Pepetela”, que é “uma narrativa que mergulha fundo na organização dos combatentes do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), trazendo à tona as suas dúvidas, contradições, medos e convicções”, segundo a sua descrição no site da Leya, que o edita no Brasil.

Fundação Universitária

A Fundação Universitária para o Vestibular (FUVEST) é a instituição responsável pela selecção de candidatos interessados em ingressar na Universidade de São Paulo e na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSC-SP), assim como dos livros a serem lidos obrigatoriamente pelos candidatos durante o triénio 2017, 2018 e 2019.

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