Plano Provincial estimula a leitura

Maria João e Edson Fontes | Caxito
14 de Junho, 2014

Fotografia: Maria João | Bengo

O lançamento oficial do Plano Provincial de Leitura (PPL) no Bengo realizou-se quarta-feira na cidade de Caxito, com o objectivo de reduzir os índices de pessoas que não sabem ler ou o fazem muito mal  e para estimular a competição saudável entre alunos em prol do conhecimento académico e cultural.

Na cerimónia de lançamento do PPL, o governador provincial do Bengo referiu a importância da formação dos recursos humanos, com maior incidência dos docentes de todos os graus de ensino.
João Bernardo de Miranda sublinhou que o investimento feito na construção de infra-estruturas por si só pode não ser de grande valia, se não se criarem as condições para assegurar a disponibilidade dos professores e competências estratégicas dos quadros médios e superiores para gestão, rentabilização e manutenção das mesmas.
Não basta ter as crianças nas escolas e passarem de classe. Elas devem transitar com conhecimentos académicos e adquirirem competências suficientes para um crescimento saudável, realçou.
“Há muitos formandos que saem do nosso sistema de ensino com uma débil capacidade de interpretação de textos, manifestam inabilidade na produção da escrita, incoerência no raciocino expresso, além da notória fraca cultura geral”, acrescentou.
O Plano Provincial de Leitura tem como objectivo centrar e elevar os níveis de literacia das crianças da província, assim como criar as premissas para que os mais pequenos possam atingir níveis de leitura com os quais se sintam plenamente à vontade e aptas para lidar com a palavra escrita.
A província do Bengo, referiu, conta, em termos estatísticos, com mais de 880 professores com o ensino não universitário, 2.300 com o ensino médio e 940 técnicos superiores. 
Aprovado em 2013 pelo Governo Provincial do Bengo, o Plano Provincial de Leitura, que prevê o aumento da capacidade de produção escrita, organização do raciocino lógico e maior poder de interpretação por parte dos alunos, vai abranger, numa primeira fase, 420 alunos e 12 professores, em representação dos seis municípios da província.

Debate chega ao Bengo


António Quino, professor de Literatura Moderna, aconselhou na quarta-feira, no Bengo, os jovens a dedicarem-se mais à leitura, lendo cada vez mais, de forma a enriquecerem os seus conhecimentos académicos e científicos.
O docente universitário, que dissertava no tradicional debate “Maka à Quarta”, realizado pela primeira vez fora de Luanda, sobre o  tema “Fronteiras entre os textos literários e não literários”, recordou que só lendo diversas obras literárias é possível enriquecer-se o vocabulário.
Durante a sua explanação, António Quino disse que existem muitas diferenças entre textos literários que precisam de ter uma elaboração peculiar e especial ao referir-se aos factos presentes no texto.
O que caracteriza os textos literários, sublinhou, são os traços que não existem nos não literários. “O texto precisa de ter uma linguagem bem elaborada, cuidada, de modo a ser artística, e o universo descrito até então é desconhecido do leitor, pois faz parte apenas do universo imaginário, mas sem perder sua interacção com o mundo real”. Essa interacção, explicou, acontece através de vários recursos, entre eles a pontuação diferenciada, figuras de linguagem e vocabulário bem seleccionado, para transmitir o que se pretende, caracterizado fundamentalmente pela sua plurisignificação.
Carmo Neto, secretário-geral da União dos Escritores Angolanos (UEA), entidade promotora da iniciativa, anunciou que a próxima edição da “Maka à Quarta-feira” fora de Luanda vai ser realizada na província do Uíge.
A “Maka à Quarta-feira” em Caxito foi assistida, além de membros do Governo Provincial, por escritores, professores, estudantes, amantes das letras e autoridades tradicionais e eclesiásticas, e pelo governador provincial.

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