Prisioneiro de Guantánamo publica livro


26 de Janeiro, 2015

O primeiro livro publicado por um prisioneiro de Guantánamo que descreve 13 anos de de tortura, humilhação e desespero tornou-se ontem um sucesso de vendas, nos Estados Unidos, ao atrair rara ateção para o caso do autor.


O relato de Mohamedou Ould Slahi a partir da base naval dos EUA em Cuba, “Guantanamo Diary” (“Diário de Guantánamo”), foi lançado, ontem, após uma batalha judicial de sete anos.O livro reconstitui os banhos de gelo, degradações e humilhações de vária espécie num relato na primeira pessoa sobre os interrogatórios aos quais foi submetido durante a guerra dos EUA contra o terrorismo, ainda que ele nunca tenha sido acusado de qualquer crime.
Um tribunal federal dos EUA ordenou a libertação de Slahi, 44 anos, em 2010, mas a decisão nunca foi cumprida e permanece encarcerado. A publicação do livro coincidiu com o discurso de Estado da União proferido pelo presidente dos EUA, Barack Obama, sete anos depois de ter prometido fechar a prisão em Cuba durante o seu primeiro ano de mandato. Os esforços acabaram bloqueados por parlamentares que consideraram os prisioneiros uma ameaça à segurança nacional.
O manuscrito de 466 páginas de Slahi foi inicialmente classificado como documento secreto pelo Governo dos EUA.
“É um homem inocente, que permanece detido ilegalmente e devia ser a pessoa a contar sua história, sem censura”, disse a advogada de Slahi, Hina Shamsi, da União Americana pelas Liberdades Civis.
“Guantanamo Diary” está entre os cem livros mais vendidos da Amazon e entrou na lista dos 50 mais vendidos da livraria Barnes&Nobles.
“Está à venda há apenas um dia, mas o meu telefone não para de tocar, o que significa que o livro está a chegar às pessoas da forma que queríamos”, disse a agente Liz Garriga, da Hachete Book Group, companhia à qual pertence a Little, Brown and Co, editora da obra.
Hina Shamsi afirmou que “o suplício de Slahi é uma prova de que a tortura não funciona” e menciona um trecho no qual descreve os seus interrogadores: “tudo que tem de dizer é ‘eu não sei, ou não me lembro’, para termos problemas.”
Várias celebridades, incluindo os actores Stephen Fry e Colin Firth, fizeram gravações, publicadas online, de frases do livro.
O autor foi descrito pela comissão responsável pela investigação dos atentados de 11 de Setembro de 2001 contra o World Trade Center e o Pentágono, nos Estados Unidos, como “um importante operador da Al Qaeda” que ajudou a organizar a viagem para o Afeganistão de membros da célula de Hamburgo, na Alemanha, incluindo dois dos sequestradores dos aviões e o companheiro de quarto de um terceiro (Mohamed Atta).

capa do dia

Get Adobe Flash player




ARTIGOS

MULTIMÉDIA