Romance inacabado sai este ano


31 de Julho, 2014

Fotografia: DR

“Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas” é o título do romance inacabado de José Saramago que, de acordo com o editorial de Julho da revista “Blimunda”, assinado por Pilar del Río, viúva do escritor, vai ser publicado em Outubro.

O livro, que tem poucos capítulos, diz Pilar del Río, presidente da Fundação Saramago, é “uma forma de repúdio à violência”.
Além dos primeiros capítulos do romance chegam também às mãos dos leitores as notas do autor, escritas por Saramago quando deu início ao livro. É nelas, explica um comunicado da Fundação Saramago, que se descobre o “andamento e o desenlace da História” que Saramago pretendia contar.
“Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas”, título que Saramago foi buscar a versos de Gil Vicente, é protagonizado por um funcionário de uma fábrica de armamento, que vive em permanente conflito moral devido ao seu trabalho, depois de descobrir “pela força das circunstâncias, que a sua laboriosidade permite que uma engrenagem odiosa continue em movimento e a marcar os mapas e as dominações”, escreveu Pilar del Rio, que assegura também que Saramago precisava “de partilhar uma última reflexão com os leitores, e assim, partindo de um singular ponto de vista, iniciou um relato sobre as armas que nutrem o grande fracasso ético do ser humano que são as guerras”.
A presidente da Fundação explica que Saramago não conseguiu acabar o romance por lhe terem faltado as forças. As páginas que escreveu vão ser publicadas não só em português, mas também em espanhol, catalão, e italiano, no continente europeu eno americano, já em Outubro. Mais tarde, vão ser feitas edições noutras línguas.
Esta vai ser a derradeira obra, garante Pilar del Río. “Com Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas” acaba a obra de José Saramago, “o homem que não queria morrer sem ter dito tudo”.
José Saramago (1922-2010) foi galardoado com o Nobel da Literatura em 1988 e também ganhou o Prémio Camões, o mais importante galardão literário da língua portuguesa.
O escritor é conhecido por utilizar frases e períodos compridos, usando a pontuação de uma maneira não convencional. Os diálogos das personagens são inseridos nos próprios parágrafos que os antecedem, de forma que não existem travessões nos seus livros: este tipo de marcação das falas propicia uma forte sensação de fluxo de consciência, a ponto do leitor chegar a confundir-se, se um determinado diálogo foi real ou apenas um pensamento. Muitas das suas frases ocupam mais de uma página, com vírgulas onde a maioria dos escritores usaria pontos finais. Da mesma forma, muitos dos seus parágrafos corresponderiam a capítulos inteiros de outros autores. Apesar disso, o seu estilo não torna a leitura mais difícil, uma vez que os leitores se habituam facilmente ao seu ritmo próprio.

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