Cultura

Vencedor é conhecido este mês

O vencedor do Prémio Camões vai ser anunciado quinta-feira, pelo corpo de júri formado pelos brasileiros Leyla Perrone Moisés e José Luís Jobim, os portugueses Maria João Reynaud e Paula Morão, o cabo-verdiano José Luís Tavares, e o moçambicano Lourenço do Rosário.

José Luís Tavares representa africanos no júri
Fotografia: DR

Considerado como o mais importante prémio literário da lusofonia, o prémio foi instituído pelos Governos do Brasil e de Portugal. O galardão é organizado pela Fundação Biblioteca Nacional do Brasil e da Secretaria de Estado da Cultura de Portugal.
Para o poeta cabo-verdiano José Luís Tavares, o facto de integrar o júri do Prémio Camões é algo natural dado a “crescente atenção” que o Brasil dedica à sua obra, principalmente após ter ganho alguns concursos literários nesse país lusófono onde publicou no ano passado o livro “Contrabando de cinzas”, uma compilação da sua poesia editada e de alguns inéditos.
Instituído em 1988, o prémio permite reconhecer o conjunto da obra de um autor de língua portuguesa. Entre os galardoados, nas outras quatro vezes em que o Prémio não foi para autores portugueses ou brasileiros, coube duas vezes a Angola e igual número a Moçambique.
O Prémio é atribuído anualmente aos autores que tenham contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural de língua portuguesa, alternadamente no território de cada um dos dois países, cabendo a decisão a um júri especialmente constituído para o efeito.
O prémio consiste numa quantia pecuniária resultante das contribuições dos dois Estados, fixada anualmente de comum acordo.
Premiado em 2006, José Luandino Vieira recusou o prémio alegando “razões pessoais”. Posteriormente, revelou que o motivo da recusa era o hiato de três décadas entre a publicação de seu (então) último livro e a atribuição do galardão. “Quando me vêm atribuir o prémio eu estava há 30 anos sem escrever um livro e essa minha escolha tem um preço… Considerei que era uma injustiça para com os colegas que trabalharam e se esforçaram ao longo desses anos”, afirmou numa das entrevistas.
Poucas mulheres receberam o galardão. Das seis premiadas até os dias actuais, nenhuma é de origem africana.
Além de Haroldo de Campos, Manuel Lopes e José Cardoso Pires, podem ser citados entre os autores lusófonos que faleceram sem receber o prémio: os portugueses Augusto Abelaira, Fiama Hasse Pais Brandão, Mário Cesariny, Natália Correia, Vasco Graça Moura, David Mourão-Ferreira e Urbano Tavares Rodrigues, os brasileiros Manoel de Barros, Maria Clara Machado, Décio Pignatari, Mário Quintana, Ariano Suassuna e José J. Veiga, as são-tomenses Alda do Espírito Santo e Manuela Margarido, o angolano David Mestre, os moçambicanos Rui Knopfli, Albino Magaia e Noémia de Sousa, e os cabo-verdianos Corsino Fortes e Gabriel Mariano.

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